Cultura, geminações e educação são apenas alguns dos pelouros que estão à responsabilidade de Célia Guerra. Por ocasião dos 33 anos de elevação da Marinha Grande a cidade, quisemos saber junto da vereadora da Câmara o que está a ser feito em alguns destes domínios, bem como perceber de que forma foram ultrapassados os constrangimentos causados pela pandemia de COVID-19, que chegou há um ano

 

Que trabalho tem sido desenvolvido em parceria com as cidades geminadas, e de que forma se pode potenciar esta ligação entre Municípios?

As “Geminações” são, de acordo com a definição adotada pela União Europeia, transposta para a “Visão Estratégica para a Cooperação Portuguesa”, (IPAD, 2006), acordos entre municípios que “visam trocar conhecimentos e concretizar atividades, projetos ou programas, com uma perspetiva de médio e longo prazo”.

Este modelo de cooperação assenta, sobretudo, na partilha de experiências entre municípios, integrando ou não outros atores sociais, por tempo indeterminado e de grande abrangência, de acordo com os interesses identificados em comum, no âmbito das suas competências.

Numa época em que o poder local se confronta com desafios exigentes e complexos, que se caracterizam por uma grande escassez de recursos, a formulação e implementação de políticas públicas, deverá conseguir gerar respostas adequadas em face de expectativas criadas em cada uma das comunidades.

Ao procurar corresponder a esta preocupação, as propostas de atividades procuram centrar a sua atenção sobre aspetos relacionados com atividades diversas no universo autárquico e o modo como, no contexto da cooperação intermunicipal, estas podem ser dinamizadas.

Tendo por referência a natureza cooperante de instituições como os municípios, em que a melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos se distingue como prioritária na sua ação e o passado histórico da Marinha Grande, caracterizado, enquanto comunidade, pela sua abertura ao mundo, recebendo e contactando pessoas das mais diversas origens, conferindo-lhe, naturalmente, um carácter cosmopolita com efeitos profundos no modo como os seus habitantes se relacionam com outras comunidades, os processos de geminação com outras cidades ou municípios são, assim, uma consequência natural desta predisposição e são encarados, sempre, como fator de enriquecimento em domínios como a educação, o cultural, o social ou o económico.

O Município da Marinha Grande encontra-se geminado com nove municípios, seis nacionais (Fundão, Montemor-O-Novo, Vila Real de Santo António, Oeiras, Salvaterra de Magos e Oliveira de Azeméis) e três fora do país (Fontenay-sous-Bois em França, San Ildefonso-La Granja em Espanha e Tarrafal em Cabo Verde).

O que pode ser feito com vista a dinamizar os núcleos museológicos existentes no concelho?

Relativamente à dinamização dos núcleos museológicos existentes são várias as atividades que pretendemos incrementar nos próximos tempos:

- apostar nas novas tecnologias de informação para tornar mais apelativas as exposições de cariz permanente; 

- apostar em serviços educativos com atividade regular dirigida ao público do concelho e de fora do concelho (atividades para escolas, terceira idade, pessoas com deficiência, famílias e público em geral);

- realização de atividades de programação geral (teatro, concertos, recitais, performances), de forma regular e que podem ser dinamizadas nos espaços museológicos em parceria com entidades locais;

- realização de projetos educativos e de mediação cultural, de média e longa duração, que envolvam a comunidade local, que permitam um maior conhecimento do património local, incentivando a uma maior participação e envolvimento na atividade museológica, criando assim ligações com estes espaços que permitam o reforço do sentido de pertença e identidade local.

Que ideias tem para a requalificação do Património Stephens (FEIS)?

Temos algumas ideias muito relevantes para a FEIS que serão apresentadas na altura certa. 

Que mais-valias apresenta o concelho da Marinha Grande na área cultural?

A formação e desenvolvimento da Marinha Grande está intimamente ligada à indústria do vidro, que aqui encontrou condições favoráveis ao seu estabelecimento. De facto, a frase tão ouvida há algumas décadas: “Quem não sopra, já soprou”, reflete de forma elucidativa a forte ligação desta população à indústria vidreira.

Berço da indústria do vidro e antigo centro nevrálgico da Marinha Grande, a Fábrica Escola Irmãos Stephens desempenhou um papel extremamente importante no seio da comunidade marinhense, não somente em termos económicos, como também sociais e culturais.

Daí que a indústria vidreira, a figura do vidreiro e a personalidade dos Irmãos Stephens, se constituam como um marco de elevada importância na história desta freguesia, na medida em que para além de fazerem parte da memória coletiva dos marinhenses, também se apresentam como uma referência identitária.

Atualmente, a Marinha Grande é um importante e dinâmico Pólo industrial. A indústria transformadora é o principal setor de atividade económica, apresentando a estrutura do setor industrial uma significativa concentração em torno de três setores: vidro, produtos metálicos/moldes e plásticos.

Ao título de “capital do vidro” que ostenta acresce, ainda, o reconhecimento desta freguesia enquanto “capital dos moldes”. Na verdade, foi este setor industrial que permitiu à Marinha Grande fazer frente à crise instalada na indústria tradicional – a vidreira –, melhorando a situação económica local e elevando esta cidade na escala social.

E é por esta ligação à Indústria que surgiu o Turismo Industrial, fazendo sentido que este território e o empreendedorismo que caracteriza as suas gentes sejam capitalizados também como produto turístico, juntando assim dois setores distintos: a Indústria e o Turismo.

Mas a importância da Marinha Grande não assenta única e exclusivamente ao nível da sua economia local, mas também ao nível das riquezas naturais de que dispõe, do património arquitetónico e histórico que possui e que são meritórios de especial atenção.

São dignos, pois, de especial enfoque alguns equipamentos de âmbito cultural e espaços que, pelas suas características, são elementos definidores da história local.

É o caso do Museu do Vidro, Museu Joaquim Correia, Teatro Stephens, Núcleo de Arte Contemporânea do Museu do Vidro, Casa Museu Afonso Lopes Vieira.

Outra mais-valia em termos culturais é o forte Associativismo verificado no concelho. O Município da Marinha Grande, ciente desse papel e dessa importância, tem vindo a promover, ao longo dos anos, uma relação de proximidade com as associações do concelho – apoiando a sua atividade e estabelecendo um conjunto de parcerias.

As artes e ofícios são outra das grandes mais-valias culturais, como é o caso do artesanato em vidro e da Arte Xávega na Praia da Vieira.

Cerca de duzentos e setenta anos de manufatura de vidro ininterrupta conferem à Marinha Grande o título e o reconhecimento internacional como a capital portuguesa do vidro.

O vidro assume-se há muito como o principal fator identitário, diferenciador de uma comunidade nascida e criada sob o signo do fabrico do vidro, que resulta de gerações de famílias marinhenses, operários e mestres vidreiros, a quem se deve a transmissão do saber fazer desta arte do fogo, que se pratica incessantemente, sedimenta e aprimora ao longo de anos, até à perfeição, só alcançada pelos melhores.

Da manufatura do vidro na fábrica, à pequena oficina doméstica, e mais recentemente à produção de objetos únicos recorrendo a técnicas contemporâneas no campo da art and craft, a manualidade, a criatividade e a unicidade dos objetos de expressão popular, são elementos característicos do artesanato tradicional e contemporâneo em vidro, que se constitui como uma importante herança cultural para o concelho e para o País.

A Praia da Vieira é amplamente reconhecida pela tradição da Arte Xávega, prática determinante para a afirmação da identidade da sua comunidade piscatória e dos usos e costumes das gentes da Praia da Vieira.

Tratando-se de uma preciosa herança deixada pelos seus antepassados, a comunidade da Praia de Vieira tem lutado e contribuído para que a mesma não se extinga, e personifica com orgulho este vasto património vivo.

Nos últimos anos temos vindo a aumentar a oferta cultural em termos de espetáculos e eventos, com a abertura da Casa da Cultura - Teatro Stephens, mas também com eventos de grande dimensão ao ar livre, como é o caso das Festas da Cidade.

 

Quais são as prioridades no campo da Educação?

Relativamente à educação, esta área pode ser segmentada em 3 grandes áreas, sendo que dentro de cada uma dessas podem ser identificadas algumas prioridades, nomeadamente:

Edifícios/Equipamentos

- Renovação de mobiliário nas escolas 1.º CEB e jardins de infância do concelho;

- Instalação de uma estrutura Monobloco no JI Amieirinha;

- Intervencionar a EB João Beare;

- Intervenções nas cantinas escolares;

- Criar uma Sala de Refeitório na EB Picassinos;

Serviços de Apoio à Educação

- Aumentar o n.º de vagas em termos de serviços de AAAF e CAF;

- Revisão dos Regulamentos Existentes;

- Implementação das funcionalidades do Portal Edubox para acesso aos encarregados de educação;

Recursos Humanos

- Contratação de Recursos Humanos para colmatar as situações de baixas prolongadas existentes.

A pandemia obrigou a inovar em todas as áreas. No que respeita aos seus pelouros, que inovações/melhorias vieram para ficar?

Em contexto de pandemia, a tecnologia permitiu que o setor da cultura e das artes tirasse proveito das soluções tecnológicas para dar continuidade à sua atividade, mostrando formas inovadoras e criativas, sendo o distanciamento social uma realidade dos dias de hoje e que em eventos ao vivo era um desafio difícil de ultrapassar.

Assim se recriaram os eventos, que chegaram a todo o público, quer presencialmente, quer através de transmissão online, e que foram um sucesso, levando-nos a concluir que apesar de terem sido criados em consequência da COVID, devem ser mantidos na programação, pelo excelente resultado alcançado.

Relativamente ao Teatro Stephens – Casa da Cultura, foi lançado em 2020 o projeto #MARINHAFICAEMCASA com emissão de vídeos online gravados por artistas locais. Este projeto encontra-se na 3.ª fase e no final terá emitido um total de 30 vídeos e muitos milhares de visualizações (os 20 vídeos de 2020 tiveram um total de cerca de 150.000 visualizações ).

Foram também levados a cabo diversos espetáculos com transmissão em direto ou em diferido: como por exemplo, Paulo Carvalho a 24 de abril de 2020, e a 1.ª GALA DO FADO a 27 de novembro de 2020, que foram um sucesso.

Durante esta situação de Pandemia realizámos:

- Festival de Arte Urbana - “Marinha Grande, SOPRO: ARTE PÚBLICA” – Foi um Festival criado em tempos de Pandemia, e que permitiu a criação de 3 intervenções artísticas em edifícios públicos. Foi uma forma de dar aos marinhenses, e a quem nos visita, arte sem a necessidade de se deslocarem até aos centros culturais. São verdadeiras galerias a céu aberto, onde notáveis artistas de todo o mundo se propõem a dar vida e cor a lugares escondidos no tempo, com técnicas e mensagens diversas, fazendo assim a história de cada local. Festival que pretendemos ter nova edição este ano.

- Animação da Época balnear - No âmbito da animação da época balnear das Praias da Vieira e S. Pedro de Moel apostou-se principalmente em duas formas de animação: itinerante através de Dixiebands, música estilo Jazz Tradicional e Dixie, que se movimentavam pelas ruas, e com o projeto “Música em Movimento”, onde numa carrinha transformada em palco, percorremos as principais ruas, levando os concertos às casas das pessoas. Uma forma de animação que quem nos visitou considerou extremamente positiva e a manter.

Para este ano, já temos agendado para abril, as comemorações do 25 de Abril em formato online e itinerante, que contará com concertos, Concurso de Fotografia, Corrida Virtual, Hora do Conto, um conjunto de atividades COVID-SAFE, que nos permitirão comemorar esta data histórica e relevante para o nosso País.

Relativamente aos Museus, procurámos incluí-los nas nossas iniciativas online, com o projeto Museu em Casa.

Na área da Educação, houve melhorias com a distribuição de equipamentos tecnológicos, a ampliação da rede wifi nos 3 Agrupamentos, a continuação do serviço de AAAF e CAF através da plataforma digital de modo a evitar a interrupção completa do serviço, a dinamização da atividade física através de plataforma digital, com sessões semanais online nos mesmos horários que anteriormente eram efetuados em regime presencial são experiências bastante válidas e que se poderão manter disponíveis enriquecendo o processo ensino/aprendizagem.

Na área social, a articulação conseguida entre todas as instituições da rede social foram ganhos e formas de trabalho que se implementaram e que se irão manter.

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