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 Vamos perscrutar um pouco mais, acerca de um ilustre marinhense que fomos encontrar numa vetusta pastelaria, mesmo no centro histórico da cidade.

Trata-se de uma figura genuinamente marinhense, um dos filhos do ilustre e saudoso Dr. Beltrão (odontologista, com consultório no Largo Ilídio de Carvalho), que tivemos a honra de conhecer, mal chegados à Marinha Grande, já lá vão mais de 46 anos! Foi a um dos filhos desse emérito marinhense, que viemos pedir (há tempos) um comentário para o nosso próximo livro; desde logo se mostrou disponível, adentro da carregada agenda cultural, que (ainda hoje) o Dr. Vítor Hugo A. T. Beltrão faz jus em participar, culturalmente; nesta terra onde vive e desenvolve/desenvolveu o seu múnus.


Bom dia, Dr. Vítor Hugo! Conheço o Sr., por ser um homem culto e multifacetado ligado à escrita, à história da cidade, aos seus ilustres, à rádio, aos media em geral, talvez por isso, encontrei-o sempre (desde a primeira hora) no lançamento dos meus livros. Recorda-se por acaso, qual deles lhe despertou algum interesse?

Muito obrigado pelas suas amáveis palavras, que, sem falsas modéstias, são imerecidas e fruto da sua amizade. 

Respondendo à sua pergunta: “Como não há rapazes maus” e cito o Padre Américo, também “não há livros maus”. Podemos não os compreender, mas procuro, sempre, respeitar o autor, pelo esforço, pela dedicação, pela investigação, pelo cuidado posto no livro. É por isso que nunca deixo um livro, sem o ter lido até ao último capítulo. Dos livros que já editou, adquiri 4 e, honestamente, li os 3 primeiros, com características diferentes entre si e o último ainda não tive possibilidade de o ler pelos motivos que teve a amabilidade de citar. “Um neurónio curioso” é um livro delicioso que devia ser distribuído por todos os pais e avós; facilitar-lhes-ia a maneira de ensinar e sobretudo a aprenderem, julgando que estão a brincar.

“Coragem da ancoragem”: na minha “ingenuidade” gostaria de ver este livro divulgado, com conferências de professores, pais e alunos, pois o tema fulcral é transição do quarto para o quinto ano de escolaridade. Os questionários no fim do livro são uma base de trabalho importantíssima. “Ao soprar da cana” – Entrelinhas – são um conjunto de artigos no semanário Marinhense e em que o autor aproveita para fazer a crítica possível sobre vários temas, sempre oportunos e didáticos.


Sei que foi um excelente aluno, sempre muito estudioso e dedicado. Conte-nos um pouco do seu percurso académico.

Mais uma vez gostaria de agradecer as suas palavras simpáticas e encomiásticas sobre o meu percurso académico, mas a verdade é que fui um aluno vulgar, com grandes dificuldades nas ciências e com algum jeito para as letras. Chamo-me Vítor Hugo, porque o meu pai gostava do autor francês e o meu irmão, Hernani, que é uma obra do mesmo autor que dominou uma época. Não é pois de estranhar que em nossa casa tivéssemos a obra do escritor e que tenha sido uma das leituras da minha infância. Naturalmente que não compreendia o estilo, o significado das obras e a importância do autor na literatura europeia.

Permita-me um parêntesis: Em 2001, a Câmara Municipal, por iniciativa julgo eu, da sua vereadora da cultura, iniciou um círculo de conferências – só houve uma conferência, subordinada ao tema “Os livros de que mais gosto”, ou “Os livros da minha vida”. 

O primeiro e único convidado foi o Prof. Doutor Carlos André, na altura Governador Civil do Distrito de Leiria e que muito apreciei. Curiosamente o início, das primeiras leituras, foram mais ou menos iguais às minhas, como vou citar: O professor é mais novo do que eu e por isso a diferença das leituras; eu comecei, ou até costumo dizer que aprendi a ler com “O Mosquito” revista de Banda Desenhada, uma das primeiras revistas de grande sucesso e o Professor foi com “O Diabrete” e “O Cavaleiro Andante”, revistas que apareceram posteriormente. Guardo religiosamente algumas das coleções, encadernadas.

Depois são os clássicos que tínhamos de ler e compreender. Seria interessante que a nossa Câmara organizasse conferências idênticas.
Voltemos ao meu percurso escolar: A 1ª classe foi feita em Picassinos onde a minha avó era Professora. A 2ª classe já foi feita na Marinha, onde foi o posto da PSP, em frente do Museu Joaquim Correia. Foi o Professor Curado que lecionava. As 3ª e 4ª classes foram no edifício da Junta de Freguesia e que na altura era a Creche Pereira Crespo e nas salas para a primária tive o Professor Esteves na 3ª classe e a D. Júlia Matias na 4ª classe. O 1º ano do liceu foi feito em Leiria e o 2º em Santarém, onde tinha família.
No ano seguinte inaugurou-se o Colégio Afonso Lopes Vieira e regressei para o 3º ano. A diretora era a Dra. Josefa Violante que marcou a minha geração. Entretanto, depois do 5º ano, tive que ir fazer o 6º e o 7º anos no liceu de Santarém para a admissão à Universidade, pois não havia no Liceu de Leiria o ensino destes anos.
Não sei bem porquê, mas a Dra. Josefa saiu da Marinha e jurou nunca mais voltar. Ainda se pensou fazer uma homenagem à mestra, via S. Pedro, sem passar pela Marinha. Gorou-se a iniciativa e senti um profundo desgosto.

A Dra. Josefa dava todas as disciplinas – Português, Francês, Inglês, História e quando necessário, Matemática, Geografia, etc., para colmatar o impedimento do professor da cadeira.

Fiz uma redação sobre o 1º de Dezembro de 1640. Na altura, a data era celebrada no Teatro Stephens com passagem de filmes de desenhos animados, contos e discursos. A Dra. Josefa gostou tanto da minha redação que me obrigou a lê-la no Teatro. Foi o meu primeiro discurso.

Em Santarém, no 7º ano tinha 16 em Filosofia e 14 em Latim, eram as cadeiras nucleares para o Direito e precisava de um 11 em Alemão para dispensar da escrita na admissão à Universidade.

Fui falar com o Professor de Alemão pedindo-lhe para me fazer um exame para 11, explicando-lhe a situação. Foi a primeira vez e penso que a última, que fui falar com um Professor. Deu-me um 10, sendo o único aluno do Liceu, naquele exame de Outubro.

Felizmente fiz o exame de aptidão e dispensei da oral. Como vê, não fui um estudante brilhante.

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