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    Carla Fragoso

Uma verdadeira mole humana é o que teremos em palco já este sábado à noite, na inauguração da Casa da Cultura Stephens.

O encenador marinhense Norberto Barroca vai colocar em cena mais de 60 pessoas, num espetáculo diversificado que promete ficar gravado na memória…

Atores, cantores, dançarinos, músicos e muitos outros artistas, dos 6 aos 90 anos, vão estar debaixo de todas as atenções na noite deste sábado, 25 de outubro. Para a preparação do espetáculo “Palco de Memórias”, que vai marcar a reabertura do Teatro Stephens – agora Casa da Cultura Stephens, a Câmara Municipal convidou Norberto Barroca e o encenador não podia ter ficado mais satisfeito. “Teria ficado triste se não me tivessem convidado”, refere. Afinal é filho da terra e foi ali que assistiu, pela primeira vez, a um espetáculo de teatro, onde foi ‘seduzido’ para a arte que acabaria por ser o fio condutor de toda a sua vida.
Mostrar o novo espaço e as suas potencialidades e, em simultâneo, “envolver o máximo de artistas locais, fazendo um espetáculo com marinhenses para marinhenses”, são os grandes objetivos do encenador, que agradece, desde já, a todos os envolvidos, em especial à diretora da Casa da Cultura, Fátima Bentes, e ao diretor de cena, José Freire, por toda a disponibilidade.
Ao longo de cerca de três horas, Norberto Barroca vai contar o percurso do teatro, desde a sua criação, pela mão dos irmãos Stephens, recorrendo às mais variadas artes performativas, num espetáculo diversificado que visa homenagear todos aqueles que contribuíram para aquele espaço cumprisse o seu desígnio, ao longo dos tempos.
Adiantando que não se trata propriamente de uma peça de teatro, dada a diversidade de artes que vão subir ao palco, o encenador revelou ao JMG que será possível ficar a saber o que sucedeu nos dois séculos e meio de história do teatro, incluindo a visita da Rainha D. Maria I, a destruição causada pelas tropas napoleónicas e a sua reconstrução.
O cenário será muito simples, com recurso sobretudo a cortinas que vão marcar os diferentes momentos performativos. Quanto ao guarda-roupa, da responsabilidade de Mário Dias Garcia, foram recuperados alguns figurinos usados na peça de teatro “A soprar se vai ao longe”, encenada por Barroca para o Sport Operário Marinhense, recorreu-se à Câmara, ao Operário, foram elaborados alguns fatos e outros tiveram de ser adaptados. Aliás, no dia em que estivemos à conversa com o encenador, a costureira Esmeralda de Sousa trabalhava com afinco e ligeireza nos bastidores.
Para espicaçar a curiosidade dos nossos leitores, podemos adiantar que vão passar pelo palco atores dos Grupos de Teatro do Sport Império Marinhense e do Operário, os Tocándar, a Orquestra Ligeira, a pianista Maria do Rosário Font e o próprio Norberto Barroca.

 

Um espaço para os marinhenses

Norberto Barroca faz votos de que o Teatro Stephens, agora renascido, perdure por muitos anos e com uma “atividade digna dos marinhenses e que estes correspondam”. “As pessoas estão muito divorciadas da Marinha Grande. Vão muito para fora, mas ultimamente também não têm possibilidade de ver cinema aqui. E não só cinema, como outras atividades artísticas. A cultura é um bem essencial para a sociedade, tem que ser incentivada e ultimamente tem sido um pouco descuidada, e aqui falo em termos nacionais”, esperando que o espetáculo sirva para aguçar a curiosidade das pessoas, levando-as a participar nas iniciativas que venham a ser promovidas.
De referir que o programa inaugural arranca pelas 21h do próximo sábado, com discurso oficial e descerramento de uma placa comemorativa, seguindo-se meia hora depois o espetáculo “Palco de Memórias”, que volta à cena no domingo, às 17h, e entre segunda e quarta-feira, às 21h30, sempre com entrada gratuita. Será ainda inaugurada a exposição “Teatro, percurso por quatro séculos”, patente no foyer, e realizadas visitas guiadas.

 
Alguns problemas

Já ao nível do palco, detetou alguns problemas, “uns mais difíceis de resolver do que outros”, mas que deverão ser sanados à medida que o espaço vá sendo utilizado. Para o encenador e com vista a evitar este tipo de questões, “deveria ter sido feito um pedido de informação a pessoas da área do teatro, com conhecimento de funcionamento no que respeita ao palco”.

À medida que o tempo passa, cresce a ansiedade e o ‘nervoso miudinho’. Afinal estamos a falar de um espetáculo feito por amadores, o que não permite ensaios tão frequentes quanto o encenador gostaria. A calma que reinava nos bastidores aquando da nossa visita, na tarde da última sexta-feira, 17 de outubro, deverá dar lugar, por estes dias, a uma grande azáfama, correrias, veste fato, despe fato, encontrões, etc…, tudo normal tendo em conta o elevado número de pessoas envolvidas. Com certeza que tudo vai correr bem, ou, como se diz no teatro, basta desejar boa m…

 

 

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