O artesanato em vidro e a Arte Xávega da Praia da Vieira estão nomeados como finalistas regionais do concurso “7 Maravilhas da Cultura Popular”, na sequência da candidatura do Município da Marinha Grande a este evento de âmbito nacional

Para a presidente da Câmara, Cidália Ferreira, "neste concurso nacional, a Marinha Grande representa o vidro e a Arte Xávega, o que para além de muito nos orgulhar, é uma boa forma de caracterizar a história cultural da nossa terra. Das 504 candidaturas de todo o país temos duas nas 140 finalistas”.

Recorde-se que a autarquia tinha candidatado cinco elementos do património cultural do concelho: o Vidro, na categoria Artesanato; as lendas de São Pedro de Moel, na categoria Lendas e Mitos; "O Barco" do Rancho Folclórico de Vieira de Leiria, na categoria Músicas e Danças; a Arte Xávega, nos Rituais e Costumes; e a Procissão da Nossa Senhora dos Navegantes, nas Procissões e Romarias. Destes cinco elementos foram agora selecionados para a fase regional o vidro e a Arte Xávega.

Os resultados foram divulgados no último domingo, dia 7, pelo painel de especialistas que elegeu 7 patrimónios de cada região, num total de 140 finalistas regionais que vão agora participar nas respetivas eliminatórias que serão transmitidas a partir de 6 de julho, na RTP 1 e na RTP Internacional.

As 20 finais regionais correspondem a outros tantos programas em direto, onde serão apurados os 20 vencedores, através do maior número de votos populares. Segue-se um programa de repescagem, a 16 de agosto, onde o voto popular decidirá quais os 8 repescados. Estes 28 semi-finalistas serão distribuídos por critérios de proximidade geográfica, em duas semi-finais, que vão apurar os 14 finalistas. A 5 de setembro será efetuada a Declaração Oficial das 7 Maravilhas da Cultura Popular – SICAL, na RTP.

Artesanato em Vidro e Arte Xávega

 

A tradição e a modernidade caraterizam hoje o artesanato em vidro na Marinha Grande. Do ponto de vista técnico, a utilização do maçarico para amolecer e modelar o vidro tem vindo a ser uma prática utilizada por artesãos há décadas na Marinha Grande, para a produção de vários objetos de cariz e expressão popular.


Trata-se de uma técnica milenar, utilizada para a produção de contas de vidro, botões e peças que vão desde figuras antropomórficas e zoomórficas aos objetos de laboratório, e que progressivamente foi apropriada por operários vidreiros e incorporada em pequenas oficinas familiares, já que não implicavam avultados investimentos em tecnologia, nem significativos custos de produção, e podia ser praticada em pequenas áreas. Cerca de 270 anos de manufatura de vidro ininterrupta conferem à Marinha Grande o título e o reconhecimento internacional como a capital portuguesa do vidro.

A Praia da Vieira é amplamente reconhecida pela tradição da Arte Xávega, prática determinante para a afirmação da identidade da sua comunidade piscatória e dos usos e costumes das suas gentes. Tratando-se de uma preciosa herança deixada pelos seus antepassados, a comunidade da Praia tem contribuído para que a mesma não se extinga. A xávega é a prática de pesca artesanal de arrasto para terra que se realiza com rede de cerco.


Na Praia da Vieira, grandes embarcações de fundo chato e de proa alta em forma de meia-lua entram mar adentro, deixando o cabo de um dos extremos da rede preso em terra. Depois de deitada a rede ao mar, os pescadores regressam com o cabo que segura o outro extremo da rede. Com os dois cabos em terra, a rede é puxada atualmente por tratores, até à praia, onde é recolhido o peixe.


Porém, o conjunto de práticas que caracterizam a arte xávega na Vieira não se esgota na atividade piscatória, mas num conjunto de práticas intrinsecamente associadas, que foram incorporadas pela comunidade, e fazem hoje parte do universo da tradição da Arte Xávega da Praia da Vieira.

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