Liliana Prior, presidente da Direção da Associação Social Cultural e Desportiva (ASCD) de Casal Galego, entidade que há três décadas vem promovendo de forma ininterrupta a Feira Nacional de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande diz-se “desiludida” com a decisão de cancelar a edição deste ano do certame, devido à incerteza causada pela pandemia. A responsável teme que possa haver consequências na prestação de apoio social por parte da coletividade


Que impacto tem na vida da Associação de Casal Galego o cancelamento da FAG 2020?

O cancelamento da 31.ª edição da FAG tem muito impacto na vida da Associação a vários níveis, uma vez que se trata de um evento de referência nacional com 30 anos de história, e que os seus proventos se destinavam à área social, área esta que nesta altura de pandemia é das que mais necessita de apoio/ajuda económica.

O seu cancelamento é uma desilusão para a Direção atual, empossada a 27 de fevereiro do corrente ano, bem como para todos os sócios e simpatizantes desta Associação que de forma voluntária apoiam na organização da mesma.

O apoio social prestado pela ASCD poderá estar em risco? Quais são, neste momento, as vossas principais dificuldades?

O apoio social não está em risco, por enquanto.

No entanto, se esta situação de pandemia continuar por muito mais tempo, uma vez que as despesas correntes aumentaram, nomeadamente o consumo de equipamentos de proteção individual (batas descartáveis, aventais descartáveis, toucas, luvas, máscaras), o combustível, devido à deslocação do serviço da valência de Centro de Dia e Centro de Convívio, para a residência dos utentes, entre outros.

Com todas estas alterações inerentes à pandemia, houve um aumento exponencial dos nossos gastos mensais.

A Direção tem trabalhado de forma árdua, com o objetivo de encontrar novas soluções para colmatar esta situação.

De que forma vai a Associação colmatar a receita que advinha da Feira e que apoiava a vossa ação? Há outras atividades (de menor escala) previstas?

A realização dos diversos eventos que a Associação promove ao longo do ano são uma fonte de receita para fazer face aos compromissos da mesma.

Não tendo sido possível realizar qualquer evento este ano, colocam-se em causa as disponibilidades da Associação para fazer face a esses compromissos.

Neste momento de imprevisibilidade, é preciso ter calma e paciência para enfrentar os desafios que se apresentam e reorganizarmo-nos, para que todas as providências necessárias sejam tomadas de forma a minimizar os danos e permitir que seja possível voltar a realizar eventos da melhor forma possível, uma vez passada esta fase turbulenta.

Certamente que muitos contactos e decisões estavam já estabelecidos para a edição deste ano. Como reagiram os parceiros e artesãos ao cancelamento da FAG 2020?

Ainda não temos a opinião de todas as entidades que participam na Feira, uma vez que só esta semana enviámos a todos o comunicado acerca do cancelamento da 31.ª Feira de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande, pelo que aguardamos o feedback dos mesmos.

Poderemos contar com uma FAG renovada em 2021?

A cada ano de realização da FAG existe sempre uma preocupação em inovar a mesma, dentro dos recursos existentes. O próximo ano não será exceção, a atual Direção, em conjunto com a comissão executiva da FAG, com toda a certeza que encontrará forma de renovar a mesma, mantendo o mesmo prestígio.

Como tem a Associação de Casal Galego gerido a situação de pandemia em que nos encontramos? Que medidas foram implementadas, nomeadamente nos vossos serviços de apoio social?

Para a Associação, as pessoas estão e estarão sempre em primeiro lugar. Assim, os utentes serão sempre a nossa prioridade e o nosso foco. Garantimos o bem-estar, o conforto e a qualidade de vida dos utentes, através de serviços de excelência e de cuidados especializados.

Face à grave situação que se vive em Portugal e em todo o mundo, e seguindo as orientações dadas pela Direção Geral de Saúde (DGS), fomos obrigados a reorganizar os nossos serviços de apoio à população idosa nas valências de Centro de Dia (CD), Centro de Convívio (CC) e Serviço de Apoio ao Domicílio (SAD), no sentido de resguardar os nossos utentes, os seus familiares, bem como as funcionárias da Associação, cumprindo assim o nosso papel, no combate à pandemia de COVID-19 e assim minimizar os riscos e assegurar o normal funcionamento dos nossos serviços.

Por esse motivo, procedemos à deslocação do serviço da valência de CD e de CC, para a residência dos utentes, continuando a assegurar o serviço de acompanhamento aos idosos destas valências, através do apoio domiciliário.

Continuamos a assegurar todos os serviços subcontratados, nomeadamente: fornecimento da alimentação; cuidados de higiene e conforto pessoal; recolha e tratamento de roupa de uso pessoal do utente; apoio na medicação; limpeza habitacional; apoio psicossocial, de modo a satisfazer as necessidades identificadas dos utentes, sem interrupção, sem prejuízo de orientações específicas em contrário e exclusivas das autoridades de saúde locais.

De forma a proteger os utentes, as colaboradoras e as suas famílias, a Direção da Associação decidiu, durante os meses de março, abril e maio, dividir a equipa em dois grupos de trabalho.

Um grupo continuou a executar as suas tarefas diárias, prestando os serviços aos nossos utentes, e outro grupo encontrava-se em casa, em isolamento social, para o bem de todos!

Ao fim de 15 dias, o grupo que se encontrava em casa retornava ao serviço e o outro ia para casa, e assim sucessivamente.

A partir do início de junho, voltámos a trabalhar com a equipa completa, seguindo na mesma as orientações dadas pela DGS, de forma a minimizar os riscos no combate à pandemia de COVID-19.

A serenidade de todos é fundamental, pelo que a Direção da Associação de Casal Galego agradece todo o esforço e dedicação, por parte das suas colaboradoras no cumprimento da sua missão.

A cooperação e solidariedade exige colaboração e confiança que cada um continuará a sua missão na prestação de serviços essenciais à população.

Considera que poderá haver coletividades a encerrar definitivamente as suas portas devido à pandemia e às limitações a que esta obrigou?

Esta fase de pandemia veio afetar todas as Coletividades/Associações no geral, podendo estar em risco a continuidade de funcionamento de algumas.

Tal como nós, terão de encontrar soluções de forma a fazer face às suas dificuldades.

Houve algum apoio por parte da Câmara e/ou da Junta de Freguesia nestes últimos meses à vossa coletividade?

A Associação de Casal Galego recebeu no início deste ano, da Câmara Municipal, o apoio referente à área social para 2020.

No âmbito da pandemia de COVID-19 recebemos tanto da Câmara Municipal como da Junta de Freguesia da Marinha Grande, equipamentos de proteção individual para as nossas colaboradoras.

A Câmara Municipal financiou ainda os testes laboratoriais ao vírus SARS-COV-2 a todas as funcionárias da Associação.

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