Deverá ficar concluída até 20 de julho e entrar em funcionamento já em agosto a nova Unidade de Cuidados Continuados da Marinha Grande, uma obra da Santa Casa da Misericórdia que custou 5,2 milhões de euros e terá capacidade para 60 utentes

 

O JMG visitou as instalações no dia 26 de junho, na companhia do provedor Joaquim João Pereira, timoneiro da Santa Casa há quase 30 anos. Foi já sob a sua direção que foram construídos os lares de terceira idade dos Outeirinhos, Vergieiras, adquirido o Centro Infantil Arco Íris e construída a Unidade de Cuidados Continuados I.

Com uma dinâmica e energia invejáveis, o provedor deu a conhecer todos os espaços da nova Unidade, pensados cuidadosamente, quer na sustentabilidade energética do edifício, com recurso a energia geotérmica e solar, quer no conforto de que os utentes vão poder beneficiar. Na calha está a possibilidade de instalar painéis solares que sirvam de sombra às viaturas estacionadas bem como a instalação de um posto de carregamento para veículos elétricos.

Segundo João Pereira, a obra daquela que será a Unidade de Cuidados Continuados II avançou em junho de 2018 depois de a Santa Casa ter pedido um empréstimo de 2,5 milhões de euros, complementados com capitais próprios e pulso firme na gestão financeira.

O provedor, que chegou a criar uma Comissão de Honra na tentativa de envolver as forças vivas da comunidade na edificação do empreendimento, lamenta não ter recebido quaisquer apoios de entidades oficiais, nomeadamente da Câmara Municipal. “Andamos a pedir há dois anos, disseram-nos que nos davam um apoio mas nós com as promessas não pagamos faturas”. A este respeito, João Pereira recorda e agradece os donativos feitos pelas empresas marinhenses Planimolde, Vipex e Ribermold.

Para a nova Unidade estão aprovadas 20 camas, às quais o provedor vai juntar as 31 da Unidade I e disponibilizar as restantes 9 vagas a utentes a título particular (sem comparticipação). “A ideia, para já, é deixar a Unidade I desocupada para que possa servir como reserva para a região em caso de necessidade por via da pandemia”. Mais tarde se verá a sua eventual reconversão em Unidade de Cuidados Paliativos.

A propósito da pandemia, o provedor refere que houve uma diminuição na transferência de doentes pelos hospitais para a Unidade de Cuidados Continuados I, o que levou já a uma perda na ordem dos 20 mil euros na comparticipação da Segurança Social, o que trouxe dificuldades acrescidas à tesouraria da instituição.

O edifício, em forma de U, contempla espaços verdes no interior por onde os utentes poderão passear, possui quartos individuais, para duas e para três camas, devidamente equipados e com wc privativo, tem corredores amplos, sala de refeições, ginásio e sala de enfermagem, além de balneários para os colaboradores, lavandaria, entre outros espaços.

A nova Unidade vai levar à contratação de pelo menos três dezenas de profissionais, entre assistentes operacionais, enfermeiros e terapeutas, que se hão-de juntar às duas centenas de colaboradores existentes que, em conjunto, dão resposta às necessidades de 700 utentes, entre crianças e idosos.

“Sinto-me realizado”

Com a obra a chegar ao fim, João Pereira admite que vai finalmente relaxar. “Encaro este momento com um sentimento de relaxamento perante a obra concluída e estou a pensar que são horas de me reformar da Misericórdia, mas estou a ver que vou ter que ficar até se pagar o empréstimo…”.

Proporcionar a melhor qualidade de vida possível aos utentes tem sido o seu foco nestes quase 30 anos de liderança da Santa Casa. Em dezembro próximo completará as três décadas de liderança. “Assim será se Deus me ajudar”.

“Sinto o meu dever de cidadão cumprido. Acho que todos os que estamos à superfície da Terra e que temos algum talento o devemos por ao serviço da comunidade”, considerou o provedor, afirmando com orgulho que “deixo obra feita. O Lar dos Outeirinhos já fui eu que construí. Era vice-provedor quando o sr. Baroseiro, que era o provedor, morreu e fiquei com a criança nos braços”. “Sinto-me realizado com o que tenho feito aqui”.

Para João Pereira, “se queremos ter uma sociedade melhor daqui a 15 ou 20 anos, é pela infância que começamos. Temos 180 crianças no Centro Infantil Arco Íris e todas são tratadas por igual. Precisamos que os miúdos desde pequenos se habituem a ser sociais, a darem-se uns com uns outros, sem se sentirem diminuídos ou superiores”.

Olhando para o futuro, considera que deve haver “cuidado” na construção de novas unidades para a terceira idade, uma vez que apesar da esperança média de vida estar a aumentar, prevê que dentro de 15 anos a população comece a diminuir, bem como a necessidade deste tipo de espaços.

É na juventude que está ao serviço na Misericórdia que vê também o futuro da instituição de que se orgulha de ser um voluntário “a 200 por cento”, frisando que nunca a Misericórdia lhe pagou qualquer despesa de alimentação ou deslocações, orgulho extensível ao facto de em quase 30 anos como provedor apenas ter faltado sete vezes às reuniões semanais de Direção. E, pasme-se, ainda se recorda dos motivos das faltas…

Nos últimos 15 anos e sobretudo depois de que se reformou da advocacia, João Pereira tem-se dedicado em exclusivo à Misericórdia. “Sinto-me bem e ainda tenho algumas ideias para colocar em prática”.

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