Os dois últimos textos que publiquei neste jornal integram-se na tentativa de contribuir com algumas ideias, resultantes de uma longa experiência pessoal, política e profissional, para o progresso das empresas e da sociedade portuguesa. Faço-o semanalmente aqui, mas também numa coluna que tenho no semanário "O Diabo" e às segundas feiras nos diários de Coimbra, Leiria, Aveiro e Viseu

Muitos dos textos que vou publicando envolvem duas questões principais, a economia portuguesa, os erros do modelo económico que os governos têm prosseguido, bem como a incapacidade de sucessivos governos em manter um rumo coerente em relação ao futuro e a tendência, quase doentia, do curto prazo. Em segundo lugar, tenho escrito muito sobre a corrupção, por estar convencido que a corrupção no Estado e na sociedade portuguesa é maior do que geralmente se pensa, que desvia a atenção e muito dinheiro para actividades contrárias ao progresso e ao desenvolvimento do País. Corrupção potenciada pelos partidos políticos, por decisões dos governos e da Assembleia da República, por sociedades secretas como a Maçonaria, além de empresas criadas por políticos e familiares, deputados e autarcas.

Trata-se de uma imensa rede que desvia anualmente muitos milhões de euros de recursos do Estado e da Nação portuguesa, sem que o mesmo Estado tenha criado os meios suficientes para prender, julgar e condenar os corruptos, ou os que, como diz o povo, ficam à porta. Bastará recordar o que aconteceu com o Banco Espírito Santo, o BPN, a PT, que era uma das melhores empresas de telecomunicações da Europa,bem como as muitas ligações à corrupção brasileira, ou as enormes perdas da Caixa Geral de Depósitos, além das muitas empresas privadas envolvidas, para se ter uma ideia das causas porque Portugal continua na cauda da União Europeia e a perder terreno relativamente aos outros países pobres da Europa.

A frase conhecida de que cada povo tem os governos que merece, apesar de só parcialmente verdadeira, tem razão de ser. Digo parcialmente, porque tivemos durante quarenta anos governos de ditadura, em que os portugueses não tinham os meios democráticos para mudar de governo. Todavia, depois do 25 de Abril, já não posso dizer o mesmo e tenho de concluir que somos nós portugueses, por interesse e por desinteresse, por ignorância e por falhas graves do sistema democrático, que temos merecido o nosso crescente atraso relativamente a outras nações.

Na minha longa vida, vivi metade em ditadura, esperando com entusiasmo a chegada da democracia e a outra metade a bramar contra as insuficiências do nosso regime democrático. Felizmente, não fui e não sou o único, muitos mais do que eu vivem a mesma tragédia. O que não altera a realidade, somos nós portugueses que ditamos o rumo dos acontecimentos e, infelizmente, a maioria de nós não tem a clarividência suficiente para o fazer.

Presentemente, por razões várias, o Governo do PS e o Primeiro Ministro António Costa gozam de uma invejável popularidade, como, aliás, aconteceu durante algum tempo com os governos de José Sócrates. Todavia, a corrupção e a política das relações privilegiadas entre a política e os negócios não é menor e as pessoas são praticamente as mesmas.


Veja-se um exemplo: no dia 24 de Março escrevi no jornal O Diabo, a propósito da corrupção e dos erros cometidos com os fogos de 2017, o seguinte: "...não estamos, que se saiba, a tomar medidas para prever que o mesmo, ou pior, aconteça agora. Seja na paragem de sectores que não teriam de o fazer, seja na febre das comprasfeitas tarde e a más horas sem concursos, seja simplesmente na fuga ao trabalho, sob a desculpa do isolamento". E mais à frente, "Razões porque penso seja de prever a criação de um pequeno grupo na Polícia Judiciária que, desde já, e em regime de exclusividade, investigue tudo o que esteja a ser decidido neste domínio, verificando a documentação necessária. Só o anúncio público desta medida poupará muito dinheiro ao Estado".

Em vez de ter sido feito algo semelhante ao que escrevi, o Presidente da República e o Primeiro Ministro assinaram novas leis, que sob a capa da pressa que não tiveram em Janeiro, Fevereiro e em grande parte de Março, abriram a porta a todo o tipo de desvio de dinheiro dos contribuintes portugueses para pessoas, empresas e amigos do poder político.


Para já, os jornais já falam em oitenta milhões de euros e nas próximas semanas teremos mais notícias. Para já, o Primeiro Ministro divulgou a sua confiança no secretário de Estado que andou a meter cunhas para que um amigo recebesse algumas encomendas e, ao mesmo tempo, António Costa fala de tudo um pouco, mas, para já, a palavra corrupção não faz parte do seu discurso.

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