Durante os próximos doze meses vamos ter em Portugal duas eleições – legislativas e presidenciais – de que podem resultar a continuidade das políticas actuais e, previsivelmente, os mesmos problemas que actualmente enfrentamos, ou daí poderá resultar uma mudança, desejavelmente profunda, da governação em Portugal. Tudo dependerá das candidaturas que venham a surgir e da forma como os portugueses se decidirem a votar.

Se tudo continuar como até aqui, repetindo as mesmas políticas, ainda que com algumas caras diferentes, isto é, se continuarmos, mais uma vez, a dar a confiança aos partidos e dirigentes que nos têm governado mal, a probabilidade de mudança é fraca e revelará que a maioria dos portugueses são crédulos para além de toda a razoabilidade. Se, por outro lado, os portugueses concluírem que a actual situação de empobrecimento, de desemprego, de promiscuidade entre a política e os negócios e a falta de dignidade e de honradez de muitos dirigentes políticos e empresariais, se os portugueses decidirem que esta é uma situação inaceitável no futuro, sendo pouco provável que mude com os mesmos que nos trouxeram até aqui, então votarão na mudança e darão uma oportunidade a outros cidadãos, não apenas a novas caras, mas, principalmente, a pessoas com outro perfil, um outro passado e que dêem outras garantias de seriedade e de defesa do interesse nacional.

É isto que estará em causa nos próximos doze meses, tempo suficiente para que os portugueses se interroguem sobre as causas do endividamento excessivo do Estado, dos cortes nos salários e nas pensões e qual a razão porque enquanto uns não têm suficiente comida para por na mesa, outros mostram tantos sinais exteriores de riqueza. Ou porque será que as vendas de automóveis importados, dos mais caros, cresceu mais de trinta por cento. Afinal de quem é a crise? Vamos ter nos próximos doze meses a oportunidade de mudar, não apenas com outros deputados na Assembleia da República, mas com outro presidente em Belém.

E, relativamente a esta eleição, no início do próximo ano, devemos perguntar-nos o que fizeram os anteriores presidentes e, principalmente, o actual, enquanto os governos faziam ruinosas parcerias público privadas, permitiam casos como os do BPN, da PT e do BES/GES e nada fizeram para investigar o aparecimento de novas fortunas sem justificação plausível? De facto, a prisão de um ex-primeiro ministro, que representa a cúpula de um processo de degradação do nosso regime político, só foi possível porque os deputados, os governos e o Presidente da República andaram a dormir ou foram parte do problema.

Que cada um de nós resolva este dilema, sendo certo que em qualquer caso se impõe encontrar quem não durma e não seja parte deste crescente processo de degradação da ética e da decência da vida política portuguesa, além de ser capaz de ir, sem medo, ao fundo dos problemas que afectam negativamente a respeitabilidade e o progresso da nossa democracia. Durante os próximos doze meses a bola estará, em grande medida, do lado de todos os portugueses, da esquerda e da direita, progressistas e conservadores. Continuidade ou mudança, eis a questão.

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