Em política o debate de ideias só pode ser verdadeiramente útil se seguir regras de racionalidade e se deixar claras as diferentes alternativas que se colocam aos decisores, de forma a serem facilmente compreendidas pelos cidadãos, que assim podem, também eles, participar do debate com utilidade.


Infelizmente, entre nós, o debate político é não apenas pobre mas sofre de vícios que são culturais, mas também e, porventura mais importante, que resultam de diversas formas de manipulação por força de interesses políticos e económicos, do carreirismo político e profissional e da luta pelo poder e por empregos. Isto é, o debate político deixa de estar ao serviço dos cidadãos e da maturidade da sua opinião cívica e política, factor essencial nas democracias modernas, para se tornar um jogo de enganos, crescentemente confuso, anarquizante e poluidor do ambiente informativo e político.

Culturalmente os portugueses, para nosso mal, colocam frequentemente as emoções acima da razão, as suas preocupações e interesses pessoais acima da eficácia do debate e das suas conclusões, optando por contrariar os opositores sacrificando com isso a procura de consensos. Sendo que estas características são bem aproveitadas pelos partidos políticos e pelos diferentes actores do debate público para esconder a sua impreparação e a ausência de ideias e de projecto, bem como para esconder os diferentes interesses subjacentes às opiniões expressas.

A televisão é o mais poderoso meio de influenciar a opinião pública e portanto não surpreenderá que seja na televisão que são montados os mais eficientes esquemas de manipulação. Esquemas que vão das restrições de acesso dos interventores considerados subversivos, nomeadamente nos horários de maior assistência, do uso do poder económico para influenciar quem debate e o que se debate e, finalmente, a utilização massiva de programas que influenciem o gosto simplificado dos telespectadores , como o futebol, realty shows e as telenovelas.

Este poder da televisão, que permite a projecção e o lançamento dos futuros líderes políticos, formatando-os à medida dos interesses dominantes, coloca em causa e de forma crescente a própria democracia e o regular funcionamento das instituições democráticas. Se a seguir nos recordarmos que isso já acontece através do poder financeiro globalizado, podemos prever os resultados destes dois poderes actuarem em consonância, como penso seja um processo em andamento e cuja consequência imediata já se verifica na divulgação da ideia de inexistência de alternativas democráticas para os problemas da sociedade.

Assim, dado o poder das televisões é cada vez mais frequente a chegada ao poder politico de pessoas medíocres, sem experiência de vida ou profissional, mas bem parecidos e capazes de falar durante horas sem dizer nada de relevante ou útil para a criação de soluções destinadas a melhorar a eficácia e a qualidade das instituições, seja porque não o sabem fazer, seja porque não são esses os objectivos a atingir. Abundam em todo o mundo líderes políticos deste modelo como Bush ou Sílvio Berlusconi, como em Portugal, Durão Barroso, José Sócrates ou Marcelo Rebelo de Sousa, este agora na rampa de lançamento para Presidente da República. Trata-se de pessoas que sem a televisão teriam vivido e morrido na relativa obscuridade.

O desafio é agora o de saber qual a evolução previsível desta relação dos meios de comunicação com a sociedade e com os regimes democráticos. Adianto a resposta, é previsível que o poder combinado do poder financeiro global – não confundir com o poder económico dos sectores produtivos – com o poder das televisões, colocará em risco o funcionamento dos regimes democráticos, a menos que surjam medidas reguladoras de dimensão global, o que não é previsível que aconteça de forma democrática. Deixo para um texto próximo o tratamento das redes sociais.

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