Em nota de imprensa, a Comissão Coordenadora Distrital de Leiria do Bloco de Esquerda (BE) deu conta de que este ano, e“por motivos de contingência” não teriam lugar os habituais festejos do 1.º de Maio. Ainda assim, e porque “a pandemia não suspende direitos no trabalho nem a democracia”,“assinalamos esta data simbólica que relembra a luta dos trabalhadores de Chicago, que saíram à rua em 1886 para exigir o estabelecimento da carga horária máxima para 8 horas diárias de trabalho”



O BE recorda que no início da pandemia propôs “medidas de proteção aos precários e a proibição dos despedimentos durante a crise pandémica em todas as empresas que recorram a apoios públicos, de forma semelhante ao previsto em vários países da europa”. Contudo, a proposta “foi chumbada e as consequências já são visíveis”. Segundo o comunicado, o Bloco de esquerda lançou o portal de denúncias despedimentos.pt, para que os trabalhadores “pudessem denunciar situações de abuso laboral durante a pandemia e recebemos mais de mil denúncias que são apenas uma amostra do país real”.

No distrito de Leiria, foram registadas“várias denúncias de abuso laboral em diversas áreas de produção”, com “milhares de trabalhadores afetados pela irresponsabilidade social de várias empresas, sobretudo, nos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Caldas da Rainha, Alcobaça, Nazaré e Peniche”.

O Bloco denuncia a existência de “muitos casos de imposição de férias, de atrasos salariais, de incumprimento das regras de saúde e segurança, de recusa de teletrabalho, mas o que esta pandemia tornou mais visível foi a insuficiência da legislação laboral para proteger os trabalhadores, tendo muitos precários e precárias sido atirados para o desemprego”.

Os bloquistas acusam ainda as entidades patronais de terem “abusado” da precariedade, “muitas vezes de forma ilegal, e hoje aproveitam-se do recrutamento temporário, do período experimental e de contratos a termo certo para despedirem centenas de pessoas, deixando-as sem qualquer tipo de rendimento”. “Empresas que, na sua maioria, despedem e depois recorrem a apoios do Estado”, refere ainda o comunicado.

“Depois da pandemia da Covid-19, chega a pandemia do desemprego e da crise económica. É por isso importante construir soluções com base na solidariedade, fortalecendo o Estado Social e as conquistas que o 1.º de Maio celebra”. Nesse sentido, o Bloco de Esquerda promoveu a conferência online “Vencer a crise”, que decorreu nos dias 27, 28 e 29 de abril e contou com mais de 90 especialistas em diferentes áreas, que participaram em sete painéis.

Na ocasião, o deputado Ricardo Vicente, eleito pelo distrito de Leiria, propôs o estabelecimento de Planos Regionais de Ordenamento Agroalimentar; e “travar o abuso da grande distribuição sobre agricultores e pescadores e obrigar a preços mínimos superiores aos preços de custo nos contratos de abastecimento”.

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