Em entrevista ao Programa «Pontos de Vista», da RCM, conduzido por Carlos Carvalho, o antigo vereador Armando Constâncio defendeu que o mercado das tendas já deveria ter sido fechado pela ASAE, e que se o edifício construído para mercado junto ao Atrium for desmantelado os autarcas devem ser responsabilizados por delapidação do património municipal

A mata representa 2/3 do Município mas é gerida pelo Estado. Ainda assim tem um grande potencial para a Marinha Grande…
Nem sequer nos permitem derrubar um galho que tenha caído de uma árvore, se for apanhado a fazê-lo se calhar vai preso. O problema é que o Estado é, e bem, proprietário da mata nacional e penso que não deve deixar de o ser, agora o que tem havido é um radicalismo de posições, neste caso de organismos tutelares do Ministério da Agricultura, relativamente à simbiose que deve ser a mata nacional com os interesses da própria terra. O problema é que 2/3 do nosso concelho são ocupados pelo pinhal, que tem rentabilidade económica, mas a Marinha não vê um cêntimo, pelo contrário, se não for a autarquia a reparar as estradas aquilo acaba por se degradar tudo e depois sempre que é preciso alguma iniciativa da Câmara que envolva cedências dos serviços florestais e do Ministério é uma desgraça. Deixe-me lembrar, no tempo do mandato do presidente Álvaro Órfão, em que tivemos talvez a nossa luta mais intensa para tentar expandir a zona industrial. Deixámos o caminho feito, pagámos o dobro da área que pretendíamos para expandir e comprámos o dobro desse pinhal e depois, mais tarde, não sei bem com que critérios, 120 hectares de mata comprados pela autarquia por centenas de milhares de euros foram trocados por 11. Isso não é nada! Depois de fazerem infraestruturas de ligação à segunda saída da ZI, fica quase nada para fazer lotes industriais e podíamos ter 60 hectares porque tem lá um túnel de acesso construído por debaixo do acesso à A8 para expandir. E isso não vai acontecer. Isso é que são autênticas marteladas no nosso desenvolvimento.

A possibilidade de construir nas periferias tem obrigado a levar para lá infraestruturas como a luz e a água e sabemos que a adutora carece de uma intervenção...
O problema é que nem precisamos de crescer para se notar o perigo que corremos há muitos anos de que possa haver um problema sério na questão do abastecimento de água. A grande capacidade de abastecimento está situada na mata perto do Altos dos Picotes, onde há alguns problemas de concentração de ferro que precisavam de ser resolvidos. Sob ponto de vista bacteriológico a nossa água é das melhores do país. Temos um único depósito que serve grande parte da Marinha Grande. Não há nenhum de reserva. E temos uma única adutora que, quando fomos para a câmara em 1994, estava nalguns sítios presa com barrotes de madeira. O problema que temos, e aí sim começamos a ser um anão político, porque a falta de visão estratégica para estas coisas é complicada. Se houver um colapso no depósito dos Picotes que foi construído na década de 80, temos um problema sério. E há projetos feitos na câmara desde que José Sócrates foi secretário de estado, penso eu, do ambiente, para duplicar os depósitos nos Picotes até para permitir a limpeza do depósito grande e duplicar a adutora. Se houver o colapso de uma, funciona a outra. Não estou a ver ninguém a pensar nisso.

Leia a entrevista na íntegra na edição em papel do JMG.

 

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