O Primeiro-Ministro esteve esta segunda feira, 22 de janeiro, no concelho da Marinha Grande onde presidiu à apresentação da Estratégia de Recuperação do Pinhal do Rei, após o incêndio de 15 de outubro ter consumido 86 por cento da sua área.

A visita de António Costa, que esteve acompanhado pelo Ministro da Agricultura e pelo Secretário de Estado das Florestas, Luís Capoulas Santos e Miguel Freitas, respetivamente, teve início junto à Secundária José Loureiro Botas, em Vieira de Leiria, onde o governante plantou um sobreiro, como sinal das diferentes espécies que deverão ser plantadas no Pinhal de Leiria. No total foram plantadas 300 árvores, por governantes e alunos do Agrupamento da Vieira, em talhões que estão a ser reflorestados com donativos de diversas entidades ao ICNF, entre as quais a Rede AgaKhan para o Desenvolvimento que entregou um cheque de 100 mil euros para este desígnio.

Na viagem até à Marinha Grande, a comitiva assistiu ao corte de árvores, junto à estrada municipal 242-1, para criação de faixas laterais de proteção de 25 metros das vias de trânsito.

Já durante a cerimónia pública, que decorreu no Edifício da Resinagem, o Primeiro Ministro frisou que a reconstrução do Pinhal do Rei será um processo de “uma de importância extraordinária” e uma “oportunidade de fazer diferente e melhor” no que respeita à gestão, ordenamento e preservação da floresta, prevendo que se trata “de um desafio para, pelo menos, uma década”.

Costa defendeu que é preciso “ter casas mais resilientes e um território florestal mais resiliente”, não podendo haver culturas contínuas de espécies altamente combustíveis, e frisou a necessidade de ter “um sistema de prevenção e combate a incêndios em espaço rural diferente daquele que existia”.

António Costa salientou a necessidade de apostar em espécies “mais resistentes ao fogo”, dando como exemplo os sobreiros que permanecem junto à Secundária da Vieira “como ilustração que é preciso uma boa mistura de espécies plantadas” e que “a agricultura entre de novo no espaço florestal”.

{mprestriction ids="1,2,3"Na sua intervenção, o Primeiro-Ministro frisou que a reforma da floresta, inscrita no programa do governo em 2015 e iniciada em 2016, “tem mesmo de ser levada para a frente”, dando como exemplo o cadastro florestal que “terá de ser feito”. O governante garantiu que embora se tenham começado a plantar sobreiros, “o pinhal continuará a ser com pinheiros, mas com outra composição”, com recurso a espécies mais resistentes.

Madeira queimada avaliada em 35 milhões de euros
Rogério Rodrigues, presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), deu conta que o plano de corte é “inigualável” no país, uma vez que “não há memória de um volume ardido desta natureza”, e que totaliza 1,7 milhões de metros cúbicos, dos quais cerca de 1,1 milhões correspondem a madeira de serração e os restantes 600 mil a madeira de trituração. As hastas públicas para alienação da madeira ardida arrancam este mês e os cortes vão prolongar-se por 18 meses, prevendo que até junho os procedimentos de alienação estejam concluídos. Trinta e cinco milhões de euros é quanto deverá valer a madeira ardida.

A madeira será depois armazenada em parques próprios, por um período entre 9 meses e três anos, de forma a responder às necessidades da indústria de pinho nacional e para “estabilizar o mercado”, como explicou Miguel Freitas, Secretário de Estado das Florestas.

A presidente da Câmara da Marinha Grande aproveitou a ocasião para pedir os meios técnicos e humanos necessários à reflorestação do pinhal, estimando que sejam precisas 250 milhões de árvores. Cidália Ferreira reivindicou a instalação do Museu da Floresta no Parque do Engenho, que “não pode mais ser adiada”, que na próxima Quinta Feira da Ascensão, feriado municipal, haja condições para a população usufruir da mata, e que o Rali Vidreiro possa também decorrer nas estradas da mata e em segurança.

Comissão Científica e Observatório
A cerimónia de apresentação da Estratégia para a Recuperação do Pinhal do Rei incluiu a assinatura do acordo de cooperação para a criação da Comissão Científica do Programa de Recuperação de Matas Litorais e do protocolo de criação do Observatório Local do Pinhal do Rei.

A Comissão Científica terá como principais objetivos a recolha, compilação e sistematização da informação técnica e científica sobre a gestão das matas litorais e, entre várias outras tarefas, a monitorização da erosão eólica e hídrica e definição das ações de intervenção mais eficientes.

Durante os próximos seis meses, a Comissão ficará encarregue de elaborar um plano de reflorestação para a região.

Já o Observatório do Pinhal do Rei fará a avaliação do plano de recuperação, apresentará propostas de ordenamento e fará a articulação com instituições, organismos, empresas e particulares que apoiem ou financiem atividades de recuperação do pinhal.{/mprestriction}

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