Octávio Ferreira, engenheiro silvicultor que durante vários anos trabalhou no Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), foi o orador convidado pela Associação Marinha em Movimento para ser orador no webinar que decorreu dia 15 de julho, subordinado ao tema “Pinhal do Rei, futuro comprometido?”

Depois de fazer o historial do Pinhal de Leiria, Octávio Ferreira lamentou que o incêndio de 2003 não tenha servido de aviso sobre o que poderia acontecer um dia mais tarde, defendendo que na altura “não foi feita a devida análise sobre o que deveria ser alterado” para que o mesmo não voltasse a suceder.

O técnico, agora reformado, deu conta da criação de uma Comissão Científica que produziu 8 relatórios com aquilo que a mata deveria ser no futuro, bem como do Observatório do Pinhal do Rei, após o incêndio de 2017, que consumiu 85% da área do pinhal, considerando que “o que é importante ainda não aconteceu”, referindo-se à inexistência de um plano de recuperação do Pinhal do Rei.

Para Octávio Ferreira, e após as primaveras de 2018, 2019 e 2020 já se sabe em que talhões não se verificou regeneração natural e em quais é preciso plantar novos pinheiros, referindo que a rearborização (plantação ou sementeira) deveria ocorrer em 45% da área ardida (4300 hectares) nos 5 anos seguintes ao incêndio, a uma média de investimento de 1 milhão de euros por ano. Já para o aproveitamento da regeneração natural dos restantes 55% de área ardida, apontou para um gasto de 400 mil euros/ano, de 2023 a 2027.

“Quando as coisas não funcionam tem que haver alguém a exigir que funcionem, a nível concelhio a Câmara Municipal tem que agir e exigir e eu sei que tem agido, mas quando as coisas não resultam tem que haver uma nova vaga de exigência e persistência”, defendeu Octávio Ferreira.

Para o técnico, a rearborização deve ser feita com pinheiro bravo, embora não rejeite a plantação de sobreiros e de pinheiros mansos em alguns locais, considerando que deve haver limpeza de matos quer nos aceiros de acesso à mata como no seu interior, para reduzir o combustível. “Se fizermos isso resistimos melhor às alterações climáticas que aí vêm”, considerou.

“Já não vou ver o pinhal como ele era, mas temos que começar o quanto antes”, defendeu Octávio Ferreira.

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