Com o arranque das competições desportivas à porta, Clubes e Associações fazem ‘contas à vida’ e tentam organizar-se perante as diretrizes oficiais, em permanente atualização devido à pandemia. Na SIR 1.º de Maio, a presidente Cristina Sousa não esconde a preocupação face aos próximos meses, sobretudo do ponto de vista financeiro e apela à intervenção da autarquia

Como está a SIR 1.º de Maio a preparar a época desportiva 2020/21?

A SIR 1.º de Maio está a planear a época 2020/21 com muitos receios e expetativas, pois as diretrizes que nos são enviadas quase semanalmente têm alterações constantes, principalmente no desporto coletivo.

Tecnicamente estamos a trabalhar o planeamento da época, no entanto verificamos que os encarregados de educação também estão receosos em deixar os filhos virem treinar com a pandemia, em especial nos atletas mais jovens.

Sem definição concreta para o desporto coletivo por parte das entidades competentes, também não é fácil preparar a época, mas estamos a trabalhar na expetativa das diretrizes nos serem enviadas a qualquer momento e estamos abertos para ter de ajustar sempre que assim seja necessário.

Quais são as principais dificuldades com que se deparam neste processo?

As maiores dificuldades é a ausência de diretrizes concretas para a prática da modalidade de andebol em que sem elas não sabemos as regras com que iremos trabalhar, quer dentro de campo quer fora.

Esta indefinição e o receio que assola toda a comunidade diariamente instala uma ansiedade nos atletas, técnicos, pais, e dirigentes que prolongam a tomada de decisões e compromissos o que não é de todo um bom começo de época.

Outra dificuldade que nos “assombra” é a proibição de público nas bancadas, com que motivação irão os pais, amigos e familiares deslocar-se muitas vezes para longe, visto que estamos em campeonatos nacionais, e depois chegam lá e não vão ver os seus entes jogar? Como vamos transportar os atletas?

Também o possível contributo dos encarregados de educação que normalmente contribuem com o clube mensalmente, que em situações normais são uma base importante para a associação, com a crise financeira instalada, o desemprego a aumentar, haverá mais dificuldade em viajar, pois o custo de combustível, portagens, alimentação em muitas deslocações longe, será um handicap para os motivar a colaborar, o que nos traz mais uma dificuldade acrescida, tanto a nível financeiro, como a nível de transportes.

Em face da pandemia, não foi possível a realização de eventos que pudessem ajudar a fazer face aos vossos compromissos. Como tem sido gerida esta situação?

Até aqui todas as atividades da Associação têm estado paradas e as despesas gerais têm sido honradas com as verbas que tínhamos em caixa que estavam planeadas para manutenção do edifício.

Com o início da época, teremos despesas avultadas com inscrições de equipas, atletas, dirigentes, seguros, luz, água, fisioterapia, contínuos, treinadores, etc… Para fazer face a estas despesas inerentes à época desportiva, falámos com a Vereadora Dra. Célia Guerra para ver se seria possível entregar às associações (em geral) agora no início da época o valor a atribuir nas candidaturas entregues para apoio ao desporto federado, o que seria de grande ajuda, pois normalmente as associações têm de suportar os custos alguns meses antes de o município disponibilizar o apoio.

Financeiramente a ausência da organização de eventos, o maior rendimento financeiro da Associação, traz um peso muito elevado na gestão da associação e deixa-nos extremamente preocupados quanto ao futuro, pois o município até à data de hoje, nada disse ou propôs ou sequer perguntou como estamos ou se precisamos de alguma coisa.

Vai ser muito difícil manter as atividades e as portas abertas à comunidade com equipamentos de proteção individual, desinfeção, e todas as condições sanitárias exigidas se o município não colaborar!

Têm tido apoio por parte dos vossos patrocinadores habituais (empresas) e das entidades públicas?

A nível financeiro até agora das entidades públicas não fomos ouvidos nem nos disseram nada no sentido de haver uma possibilidade de apoio financeiro extra devido à pandemia.

Estamos conscientes de que vai ser um ano difícil na angariação de patrocínios, pois as empresas e o comércio em geral vão atravessar dificuldades financeiras internas, o que não lhes irá permitir ajudar as associações da mesma forma, trazendo para o nosso exercício financeiro um peso acrescido num ano onde os eventos e a festa anual também foram cancelados, o que agrava a situação.

Estamos a iniciar os trabalhos e contactos nesta área e, por isso, não temos ainda dados concretos a reportar sobre este tema.

A SIR 1.º de Maio completará em 2021 um século de existência. Com que sentimento encara os próximos meses e a incerteza quanto à realização de eventos?

É com muita tristeza que vivemos esta época que devia ser assinalada condignamente e dignificar o século de existência da SIR 1.º de Maio ao serviço da comunidade nas diferentes áreas sociais, desde a cultura, recreio, desporto federado e não federado, eventos sociais, etc… Foi sempre uma Associação com participação ativa na sociedade, o que muito honra a comunidade Picassinense, associados, atletas, dirigentes, amigos e colaboradores, bem como os marinhenses em geral.

Em 2020, a SIR 1.º de Maio, “comemorou” 30 anos de Rancho Folclórico, “comemorou” 25 anos de Andebol e ambas não puderam ver assinaladas as datas com dignidade entre a comunidade por causa da pandemia.

Nesta altura começamos a viver outra ansiedade pois aproximamo-nos do centenário e não pudemos preparar com certeza de realização uma comemoração digna da data a assinalar.

Todos os que estão a trabalhar para esta comemoração estão expectantes com o que se poderá ou não organizar, pois nesta conjetura nada é certo!

Vamos trabalhando com preocupação, mas com empenho, pois a instituição assim o merece!

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