Num balanço deste último ano, o que já foi feito na Mata, tanto na área ardida como na área intacta?
Neste último ano fizemos o que podíamos fazer. Há quem diga que não foi feito nada. E a esses eu pergunto: o que fizeram? Da nossa parte estivemos sempre na linha da frente em todas as ações, fossem de limpeza, fossem de replantação da área ardida, fosse nos contactos com o governo. Dentro das nossas possibilidades não deixámos nunca de responder a um qualquer pedido de cooperação, fosse da parte das Entidades Públicas, fosse da parte de entidades privadas ou grupos de voluntários. Como sabem a CM financiou a replantação de cerca de 40 mil árvores a que se somaram outras tantas oferecidas pelo Município francês de Fontenay-sous-Bois. Além disso, temos acompanhado o trabalho técnico e científico quer através do Observatório Local quer através da Comissão Científica. Temos, neste âmbito, sensibilizado o Governo para a necessidade de rever a política de gestão e ordenamento desta área importante e estratégica do nosso território. Sobretudo temos feito apelos constantes a que haja um reforço de meios operacionais e técnicos que ajudem a reconstruir o Pinhal e a salvaguardar o que ainda nos resta intacto desse património.Mas uma coisa é certa: 700 anos de História não se reconstroem em meia dúzia de meses, nem mesmo anos. Temos consciência disso e gostamos de passar do discurso à ação, por isso temos arregaçado as mangas.

O que falta ainda fazer?
O que foi feito, sendo algo importante e relevante, é demasiado pouco face ao que ainda falta fazer. Por isso podemos dizer que falta quase tudo. Claro que todos gostaríamos de ver algo mais feito. Ver mais limpeza e ver mais replantação. Mas quer uma ação quer outra não podem ser feitas sem planeamento e sem o necessário ajustamento à nova realidade que temos no Pinhal do Rei. Parece que agora existem muitos entendidos em agricultura, em silvicultura, em florestação, em espécies ripícolas, em fauna e em flora. Agir sem pensar e sem planear pode trazer mais problemas que soluções. A reflorestação feita até agora foi a possível, atendendo a que entre abril/maio, com início das temperaturas mais elevadas, não se pode fazer plantação. Além de que há uma forma de plantação que não pode ser esquecida: a que a própria natureza se encarrega de fazer. Poderia sim ter havido mais cuidado na limpeza, sobretudo na prevenção contra a proliferação das espécies invasoras. De resto, é importante que a curto prazo o ICNF clarifique o que vai fazer em concreto, qual o plano de ação para os próximos 5, 10, 20 anos. Quais as alterações que se propõe fazer seja no ordenamento da floresta, seja na sua gestão, seja na sua relação com as restantes entidades com interesse sobre o Pinhal, a começar pela Câmara Municipal, e isso penso que estará presente na próxima reunião do Observatório Local do Pinhal do Rei, que vai acontecer hoje, dia 11, com a presença do senhor ministro e do senhor secretário de Estado. Seria importante ainda clarificar como vai ser feito o financiamento deste empreendimento, o que só podemos esperar que seja através da afetação ao Pinhal do Rei da verba resultante da venda da madeira queimada, conforme compromisso assumido pelo senhor ministro da Agricultura. E, por fim, é de não esquecer o compromisso para a instalação em definitivo do Museu Nacional da Floresta com sede no Parque do Engenho, um Museu aberto e que aproveite a biodiversidade do próprio Pinhal que deve ser reconhecido e protegido como um Parque Natural de Interpretação Ambiental.

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