Todas as grandes cidades europeias e mundiais assumem numa praça central o lugar maior de convívio e encontro dos seus cidadãos ou, simplesmente, visitantes. E com a particularidade, ainda, de muitas dessas praças se constituírem à volta de uma estátua ou ícone local. Em Amesterdão têm a praça Dam, em Londres a Trafalgar Square e em Lisboa todos conhecem a mítica Praça à volta da estátua de Luís de Camões, no Chiado. Na Marinha Grande desde a reconfiguração da Praça do Vidreiro que este espaço central da cidade deixou de ter condições físicas para que as pessoas lá possam permanecer.

Foi, justamente, por isso que o saudoso professor escultor Joaquim Correia enviou um carta à câmara municipal solicitando a passagem da Estátua do 18 de Janeiro ligeiramente mais para o lado, na praça do parque dos mártires, onde hoje apenas só permanecem outdoors de promoção partidária ou comercial. Aquele espaço, com acesso franco de muitas pessoas permitiria um contacto próximo com a iconografia da estátua, os seus baixos-relevos que são lindíssimos e assim, nestas condições, temos um ícone cultural da cidade do maior simbolismo praticamente interdito à sua população, ao estudo e conhecimento dos seus jovens e, no fundo, à familiaridade com os seus conterrâneos que, ainda esta semana, mais um vez com brilhantismo, assinalaram a revolta dos vidreiros no dia 18 de janeiro de 1934.

Vamos ver se ao menos por uma vez que seja as forças políticas do concelho são capazes de se entender sem querelas estéreis ou inúteis, como praticamente se veem todas as semanas, como se a gestão de uma câmara municipal se compaginasse com uma campanha eleitoral permanente, sem consensos nem compromissos. Como disse Aristóteles, a esperança é o sonho do homem acordado.

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