O Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, esteve na Marinha Grande, dia 30 de dezembro, para uma visita à Mata Nacional de Leiria. Na ocasião, garantiu que até ao final da legislatura haverá intervenção “em praticamente toda a área do pinhal” que ardeu em 2017



O governante veio ver, no terreno, os trabalhos que têm vindo a ser realizados pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) no quer diz respeito à reflorestação desta importante mancha florestal, após o incêndio de outubro de 2017, que consumiu 86% da sua área.

Numa paragem junto ao Ponto da Crastinha, entre São Pedro de Moel e a Praia da Vieira, o Ministro do Ambiente afirmou que já se verificou regeneração natural em dois mil hectares e que há “expectativa” que ainda venha a existir em mais.

“Temos de deixar passar esta primavera para o poder confirmar, mas àqueles que disseram que é tolice esperar pela regeneração natural, não preciso dizer mais nada além daquilo que os senhores viram“, referindo-se à existência em áreas de regeneração natural de “pinheiros com dois anos de vida e também pinheiros muito jovens, que acabaram de rebentar há poucos meses”.

Durante cerca de três horas, a comitiva, que foi transportada pelas estradas da mata num autocarro da TUMG, pôde observar, em diversos talhões da mata, os trabalhos de preparação para as ações de plantação que vão decorrer até ao próximo mês de fevereiro.

João Pedro Matos Fernandes falou ainda aos jornalistas sobre o investimento previsto até 2024, na ordem dos 4,5 milhões de euros, em ações de reflorestação, recuperação de áreas afetadas pela tempestade Leslie e beneficiação de 28 quilómetros de rede viária já no decurso deste ano.

Segundo o responsável, “até ao final desta legislatura” irá verificar-se uma “intervenção em praticamente toda a área de pinhal, seja nos mais de 2.500 hectares” que vão ser plantados, bem como nos “ainda dois mil hectares” em que se espera haja ainda regeneração natural.

Já Nuno Banza, presidente do ICNF, deu conta de que 99% do material lenhoso ardido já foi retirado da mata. Falta retirar 1% das árvores ardidas, mas esse trabalho será feito faseadamente, para proteção do cordão dunar, já que estas árvores se situam junto à costa.

Insetos vão ajudar a inibir invasoras

Na ocasião, Fátima Reis, Diretora Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Centro, falou sobre um projeto desenvolvido em parceria com a Universidade de Coimbra para controlo biológico de espécies invasoras, nomeadamente acácias, em áreas não ardidas, através da introdução de um inseto que tentará inibir o florescimento destas plantas. A responsável anunciou também que em dezembro, em apenas dois dias, foram retiradas da mata 8 toneladas de lixo, maioritariamente resíduos de obras de construção, dando conta de que está a ser preparada uma campanha de sensibilização para evitar que este cenário continue a ocorrer.

Durante o percurso, Fátima Reis anunciou que junto à linha de água do Ribeiro de S. Pedro vão ser plantadas espécies ripícolas e folhosas autóctones nas encostas, para a sua estabilização, como carvalhos e amieiros. A responsável explicou ainda que nas imediações do Parque de Campismo de S. Pedro não vão ser cortadas todas as árvores que se encontram marcadas, uma vez que a legislação permite exceções, pelo que as copas das árvores vão distar entre si 4 metros e não 10 como inicialmente previsto.

Cidália Ferreira, presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, acompanhou o Ministro do Ambiente nesta visita ao Pinhal do Rei, salientando o contacto “permanente” entre o Município e o ICNF, e fez votos que o projeto do Museu da Floresta possa finalmente avançar.

Segundo informações do ICNF, até 2022 deverão ser reflorestados com pinheiro bravo e pinheiro manso 2.500 hectares, dos quais cerca de 1200 já se encontram plantados, num investimento de dois milhões de euros.

Entre 2021 e 2024, no que concerne à recuperação de áreas ardidas por aproveitamento da regeneração natural de pinheiro bravo serão investidos 4 milhões de euros, em 3900 hectares, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural 2020.

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