A Casa do Benfica da Moita/Marinha Grande realizou na noite do passado dia 11 de outubro, o jantar comemorativo dos seus 17 anos de existência. Fernando Valente, fundador e dirigente desde sempre, anunciou, em entrevista ao JMG/RCM, que não se voltará a candidatar aos órgãos sociais

 

Que balanço faz deste período?

Estou há 17 anos à frente da Casa do Benfica, mais um para conseguir abrir a Casa. Faço um balanço positivo. Foram 17 anos com muitas dificuldades. Foi um projeto que abracei, juntamente com o meu amigo Amílcar Costa, e que conseguimos levar para a frente. Neste percurso houve muitas dificuldades, como a pandemia, e momentos muito difíceis, mas com a paixão, o empenho, a dedicação e o amor ao Benfica, eu e os meus colegas da Direção conseguimos dar a volta à situação e hoje a Casa vive momentos bons, embora tenhamos muitas dificuldades, mas acho que estamos no bom caminho.

Neste período, houve alguma evolução. O projeto começou como Núcleo, esteve em vários espaços… O local onde estão agora é o ideal?

Quando quisemos abrir a Casa, o Benfica não acreditou no projeto e tivemos que abrir um Núcleo dos Benfiquistas da Moita e Marinha Grande. Ao fim de dois anos, chegaram à conclusão que merecíamos a Casa do Benfica e passámos automaticamente a ser Casa. As dificuldades foram tremendas e tenho alguma mágoa de não terem aderido ao projeto mais benfiquistas e de não ter conseguido trazer a Casa para a sede de concelho.

O espaço onde estamos hoje tem todas as condições, tem um bom estacionamento, mas tenho uma mágoa muito grande porque tentei várias vezes trazer a Casa para a Marinha Grande e nunca se conseguiu.

Tem sentido apoio das forças vivas do Concelho?

A Junta de Freguesia da Marinha Grande e a Junta de Freguesia da Moita sempre nos apoiaram naquilo que pretendíamos fazer. A Câmara também, no tempo dos presidentes Álvaro Pereira e Cidália Ferreira, mas nos últimos quatro anos não tivemos apoio nenhum da Câmara, pelo contrário. Esta câmara sempre nos tem dificultado a vida e, neste momento, as nossas relações com a câmara não são das melhores porque nos têm criado alguns problemas.

Pensa recandidatar-se no próximo ato eleitoral?

No jantar do 17.º aniversário vou anunciar a minha saída da Casa do Benfica em dezembro, porque são 18 anos a trabalhar, a lutar, foi uma vida. Dei tudo à Casa do Benfica e neste momento sinto que os benfiquistas não estão a dar o apoio que deviam dar a este projeto. Tenho estado na Casa do Benfica por amor ao Clube, com paixão à Casa, mas vou-me retirar. Estou disponível para ajudar quem quer que seja que queira pegar na Casa, mas sem responsabilidades diretivas. Mereço descanso e tenho que dar lugar aos mais novos, porque a Casa precisa de gente mais nova, mais dinâmica e com outras ideias para poder levar a Casa para a frente. Fico triste se não aparecer ninguém para pegar no projeto, que já deu muito à Marinha Grande e divulgou o concelho no mundo inteiro através da Benfica TV.

Para além dos convívios e da possibilidade de ver os jogos, que outros serviços é que os benfiquistas têm ao dispor na Casa do Benfica?

Sempre conseguimos bilhetes e organizar excursões para ver os jogos. As coisas agora estão mais complicadas devido ao funcionamento do Clube, mas temos tentado fazer tudo pelo melhor. Continuamos com os almoços e jantares de convívio e temos todas as condições para prestar um bom serviço.

Depois de 18 anos de dedicação a este projeto, como pensa passar os seus tempos livres a partir de janeiro?

Vou descansar e dedicar mais tempo à minha família porque ao longo destes 18 anos desprezei a minha família pela dedicação e tempo que passei na Casa do Benfica. Vou continuar a ir ao Estádio da Luz ver o Benfica, porque nestes últimos anos não tenho ido as vezes que gostaria, uma vez que, aos fins de semana, passo lá 10 a 11 horas por dia a trabalhar, porque não tenho mais ninguém que fique lá.

Quem vier a seguir a mim terá que arranjar mais apoios e uma Direção que venha para trabalhar. Agradeço do fundo do coração a todas as pessoas que ao longo destes 17 anos têm contribuído e colaborado naquilo que eu tenho pedido, e espero que continuem a ajudar a Casa do Benfica a andar para a frente, que eu farei o mesmo.