Diogo Silveira, patinador de velocidade de 17 anos, já se encontra em Buenos Aires, na Argentina, para participar no World Skate Games 2022, no escalão júnior, em representação da Seleção Nacional de Patinagem


Uns dias antes da partida para a Argentina, o JMG foi assistir a um treino do jovem patinador para saber um pouco mais sobre o seu percurso na modalidade, e também as expectativas para esta competição de caráter mundial.

Diogo Silveira começou a patinar aos 5 anos, incentivado pelo pai, Tiago Silveira, que é atualmente o seu treinador. Patinou no Sporting Clube Marinhense, depois esteve no Clube da Guilherme Stephens e, desde 2018, já na patinagem de velocidade, integrou a Associação de Patinagem Inline Marinha Grande.

Para o jovem patinador, “tem sido uma jornada fantástica”. E prova do empenho de Diogo Silveira na modalidade são os títulos conquistados: este ano foi campeão nacional nos 1000 metros, foi vice-campeão nacional por duas vezes, e obteve ainda o 3.º lugar na Taça da Europa.

“Vai ser fantástico”

 

De patins calçados, Diogo Silveira mostrou-se “bastante entusiasmado” com a participação no Campeonato do Mundo, que decorre a cada dois anos. Já sabe que vai alinhar na categoria de velocista, nos 200m e nos 500m, podendo ainda fazer os 1.000 e/ou 3.000 metros americana, 100 metros estrada e uma volta ao circuito.

Diogo, que está em representação da seleção portuguesa de patinagem, participa pela primeira vez numa prova desta envergadura, considerando que “é um orgulho poder correr neste campeonato, que vai ser fantástico, espero eu”.

Em 2021, Diogo Silveira alcançou o 3.º lugar na categoria de velocistas no Campeonato Nacional em Canelas, e começou a acelerar com o processo de treinos após dois meses de paragem por motivos pessoais. “Voltei com tudo, com treinos intensivos, a definir objetivos com o meu treinador e um dos objetivos era ir ao Campeonato da Europa, ser campeão nacional e esse facto levou-nos agora ao Campeonato do Mundo”.

Quisemos saber se o objetivo passa por trazer uma medalha do lado de lá do oceano Atlântico: “claro que todos gostávamos de trazer uma medalha. Sendo realista, isso pode não acontecer, pode ser apenas o top 8 das provas. Tenho trabalhado em todas as provas e, chegando lá, o que fizer vai ser apenas o resultado dos meus treinos”, assume o jovem.

Para quando um Patinódromo?

 

Os treinos decorrem no pavilhão 1 do Parque Municipal de Exposições, que não tem as melhores condições para treinar tendo em vista a participação em campeonatos de amplitude nacional, europeia e mundial. Segundo Diogo Silveira, o piso é muito diferente das pistas, sendo um pouco escorregadio. “Desliza, mas não dá o rendimento necessário”, assume o patinador, segundo o qual as pistas permitem dar outro rendimento em termos de velocidade, e manter o ritmo. Nestas condições, sublinha, “o risco de sofrer lesões, ao nível da virilha, é muito superior”. O jovem velocista também treina no Mercado Municipal da Maceira, procurando adaptar-se “ao que existe”.

Ao JMG, lamentou que a Marinha Grande não esteja ainda entre os concelhos com pistas adequadas à prática da modalidade. No país existem 5 pistas, mas “infelizmente, aqui temos a promessa do Patinódromo desde 2017”.

Mas Diogo não se deixa esmorecer perante a falta de condições: “a ideia é dar o meu melhor, não me queixar das condições que tenho. Ter um Patinódromo na Marinha Grande seria um sonho para qualquer um dos atletas que estão cá e teríamos objetivos mais elevados e atletas mais potencializados para o que possa ser a participação em provas”.

Uma paixão para o futuro

 

Estudante do 12.º ano no Instituto Educativo do Juncal, na área de técnico de desporto, Diogo pretende seguir Fisioterapia. Assume que gostaria de continuar na patinagem de velocidade no futuro, mas os “escassos” apoios financeiros podem ser um entrave. Por essa razão, explica, “muitos atletas optam por continuar como treinadores-atletas, para poderem ter um rendimento e continuarem a correr”. O jovem considera que a modalidade ainda tem muito por onde crescer, destacando que se trata de uma modalidade “magnífica”, que permite “dar espetáculo nas pistas”. “É uma coisa incrível, e fazer disto a nossa vida é o sonho de qualquer atleta”.

Com média de 16 valores, Diogo sabe que tem de melhorar as notas para poder alcançar os seus objetivos, mas o estatuto de atleta de alto rendimento que conseguiu no Campeonato da Europa, onde alcançou o 8.º lugar nos 1.000 metros, em setembro último, permite-lhe algum ‘conforto’ em matéria de estudos. Segundo explicou, o estatuto de atleta de alto rendimento, atribuído pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, permite gerir os horários escolares para poder aumentar as horas de treino, e poderá ajudá-lo a entrar no Ensino Superior.

Incansável, só não treina aos domingos. De segunda a sábado, embora seja “complicado conciliar tudo”, dedica, pelo menos, 3 horas diárias aos treinos. Uma hora e meia, todos os dias, em estrada e no pavilhão, a que se somam outros 90 minutos no ginásio e na bicicleta. “Depois do Mundial vou tirar umas férias, de uma semana ou duas, tenho de abrandar”, garante Diogo Silveira.

Ouvir o hino nacional na Argentina seria “a loucura”

 

Antes de cada prova há um “nervoso miudinho” que o faz duvidar se conseguirá ou não alcançar os objetivos, “mas assim que a prova começa os pensamentos desaparecem e foco-me apenas na meta”, e no objetivo chegar em primeiro. “O objetivo de todos os atletas é chegar à meta em primeiro e o meu não é diferente”.

Metódico, muito organizado, no desporto e na escola, e responsável, Diogo Silveira sabe o que quer. “Tenho noção daquilo que quero para a minha vida, para o meu futuro, e estou muito aplicado para que possa ter uma vida com base nisto”.

O irmão mais novo, de 15 anos, também já praticou patinagem de velocidade, mas já não está na competição, contou ao JMG. Mas esta é uma modalidade que lhe está no sangue. Literalmente. Ou não fosse o pai, Tiago Silveira, o seu treinador e aquele que “me treinou a sério”.

“Então, e como é a relação entre pai e filho, treinador e atleta?”, quisemos saber. Diogo Silveira explicou que os laços de sangue ajudam bastante, sobretudo nos dias em que as coisas não estão a correr tão bem, e o pai/treinador o motiva. “Temos pequenas picardias, como é normal, mas conseguimos sempre resolver. O meu pai diz que tenho que me divertir no que faço, para os resultados aparecerem, e que as provas são o resultado de tudo o que fazemos nos treinos”.

“E como seria escutar, na Argentina, o hino nacional devido a um resultado teu?”, perguntámos. “Seria um sonho tornado realidade. Era a loucura”.

Nesta participação, a Federação apoia nas despesas de viagem e alojamento, mas os equipamentos, um pouco dispendiosos, são assumidos pelos pais, “os meus maiores pilares”. A título de exemplo, um jogo de rodas, que dá para duas a três provas, custa 200 euros. “No Campeonato do Mundo tenho de levar rodas novas, e é sempre a fundo. Tem tudo a ver com o ‘paitrocínio’”, esclarece Diogo Silveira, que aproveitou a ocasião para agradecer os apoios que conseguiu reunir para esta temporada: Aquecimetal, Quimiliz, Nuno Fernandes, A1 Safety, HVA papelarias e Fisioleal.

A Marinha Grande está ainda representada no World Skate Games 2022 pelo atleta António Piteira, de 17 anos, que soma já um considerável palmarés na modalidade. O Mundial arrancou dia 23 de outubro e decorre até 13 de novembro, em Buenos Aires.

Na foto: Diogo com o pai e treinador, Tiago Silveira

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