- Escrito Por: Redação
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- 15 maio 2026
José Manuel Dias Marcos é o novo provedor da Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande. Aos 68 anos, assume o compromisso de honrar o legado dos anteriores provedores e a missão de continuar a escrever a história de uma instituição fundada há 78 anos e que hoje dá resposta a mais de meio milhar de utentes e emprega 280 colaboradores
Foi com espírito de solidariedade e serviço que José Manuel Dias Marcos aceitou o desafio de ser o novo provedor da Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande, substituindo no cargo, e nas responsabilidades, Joaquim João Pereira que liderou a instituição nos últimos 32 anos.
‘Chegou’ à Santa Casa em 2021, tendo integrado a Direção e assumido as funções de secretário no mandato 2021-2025, a convite de Joaquim João Pereira de quem é amigo há vários anos. O ‘bichinho’ do voluntariado, que já ‘morava’ em José Manuel Dias Marcos, desde os tempos em que trabalhou em Londres, pôde assim desenvolver-se, desta vez com foco na área social. Nesse período tomou consciência do modo de funcionamento da instituição e admite ter ficado “profundamente desgostoso” pela burocracia existente na relação com as entidades públicas. “Eu não gosto de política. Estou muito habituado a uma cultura anglo-saxónica, não entendo este tipo de situações”, acrescenta. Dá como exemplo a morosidade de alguns processos e a necessidade de submeter e tratar de candidaturas a fundos comunitários, por exemplo, através de plataformas que depois não funcionam. Na qualidade de secretário, José Manuel Dias Marcos conseguiu implementar melhorias ao nível da gestão, mas admite que, muitas vezes, havendo capacidade económica, é preferível avançar com os investimentos necessários de forma independente.
Tomou posse no início do ano e tem a seu cargo uma ‘casa’ com 280 colaboradores e cinco unidades, dando resposta a mais de meio milhar de utentes, desde bebés e crianças no Centro Infantil Arco Íris, aos idosos, através das estruturas residenciais Lar dos Outeirinhos e Lar D. Júlia Barosa, nas Vergieiras, com as valências de internamento, centro de dia e apoio domiciliário, e a Residencial, para acolhimento transitório e temporário para pessoas que, por motivos sociais, carecem de continuar internadas após terem alta clínica. Acresce a unidade de cuidados continuados, dedicada à área da saúde e cuidados, e a atribuição de refeições e cabazes alimentares através da Cantina Social, dinamizada com o apoio da Segurança Social e que tem como entidades parceiras a Associação de Casal Galego e o Centro Paroquial da Vieira de Leiria, e que apoia 444 famílias todos os meses.
“A tempestade Kristin foi um bom batismo”
O provedor sublinha que todas as unidades estão na sua capacidade máxima e exigem “um esforço muito elevado”, que passa pela distribuição de responsabilidades e por uma maior autonomia e responsabilidade dos diretores de cada unidade. “Só assim é que conseguimos fazer a gestão”, sublinha o responsável.
No cargo desde janeiro, José Manuel Dias Marcos faz um balanço positivo do trabalho que está a ser desenvolvido e sublinha o espírito de equipa que se verifica no seio da Direção. “Está a correr bem. A minha equipa e todos nós na Direção somos excecionais. De uma forma muito objetiva, temos divididas as nossas áreas de intervenção, e a partir daí as coisas estão a funcionar”.
O provedor considera que “tivemos um bom batismo, que foi a tempestade Kristin”, com danos superiores a 300 mil euros, e que colocou alguns desafios inesperados, mas que prontamente foram superados com o empenho e dedicação de todos os colaboradores e entidades externas.
José Manuel Dias Marcos assume uma gestão rigorosa e criteriosa da instituição, que dá emprego a 280 colaboradores, de 16 nacionalidades, conta com mais de meio milhar de utentes e gere um orçamento anual na ordem dos 15 milhões.
Para já, aponta como prioridade liquidar as obrigações assumidas nos últimos anos para a construção da unidade de cuidados continuados, e que terminam já este mês. “Nós agora queremos respirar um bocadinho, mas posso-lhe dizer que estamos ainda a fazer investimentos, nomeadamente na redução da nossa pegada ecológica, em termos de energia, e já cumprimos os critérios para 2045”, referiu o provedor.
Questionado sobre se está previsto algum novo projeto de grande envergadura para a Misericórdia, tendo em conta as “extensas” listas de espera, o provedor descartou, para já, essa possibilidade, referindo que “agora queremos respirar um bocadinho”.
José Manuel Dias Marcos deixou o desafio à comunidade marinhense para que apoie a obra da Misericórdia tornando-se sócio da instituição pelo montante de 12 euros por ano. “É um valor simbólico. É um bem que se faz à sociedade e ao concelho”, refere o provedor, lembrando que a Santa Casa “é uma instituição que está ao serviço da comunidade”.
Focado no serviço e na responsabilidade de levar a bom porto “uma nau que já é tão grande”, o provedor suporta ainda o peso da herança deixada pelo antecessor. “O Dr. João Pereira é uma pessoa excecional que, ao contrário do que dizem, sempre foi de uma dedicação exemplar, autónoma, pró-bono e sempre em primeiro lugar a defender a Santa Casa e, se hoje em dia, se o concelho tem uma instituição com esta envergadura, a ele o deve”, lembrando a homenagem que a Santa Casa lhe prestou no ano passado, e a atribuição do seu nome a uma das salas da instituição.
“O nosso lema é servir e servir quem precisa”, reforça José Manuel Dias Marcos que destaca ainda o papel desempenhado pela Santa Casa no que se refere à inclusão e integração na sociedade, com trabalhadores de 16 nacionalidades e pessoas com deficiência. “Nós também temos essa obrigação, enquanto instituição, de promover a inclusão”.
Instado sobre a forma como gostaria que a comunidade local olhasse para a Santa Casa, o provedor respondeu “de uma forma positiva e com orgulho do concelho ter uma instituição desta dimensão, e que participasse mais, de uma forma voluntária, mas também como um ato de contribuir para uma causa nobre, que queremos que se mantenha e que progrida”.
“Acho que falta esse clique para que o concelho nos olhe de outra maneira e saiba o que somos”, rematou.
Perfil
José Manuel Dias Marcos nasceu em 14 de maio de 1957 na Freguesia de São João, em Abrantes, onde estudou e frequentou o liceu. No final da década de 1970 dedicou-se à vida militar, com passagens por Santarém e Estremoz. Em 1980 fixou-se na Marinha Grande, terra natal da esposa, onde trabalhou nos setores do vidro, plásticos e moldes, na área comercial, com foco internacional, que assume como a sua vocação. Mais tarde, transitou para o setor financeiro, no qual trabalhou durante 38 anos. Aos 50 anos, a instituição financeira em que trabalhava desafiou-o a liderar uma unidade do banco em Londres, onde permaneceu durante cinco anos e meio. Foi lá que teve a sua primeira experiência de voluntariado, numa escola com perto de um milhar de alunos. Conseguiu estabelecer uma parceria com o Instituto Camões proporcionando a oferta de milhares de livros em português a crianças e jovens filhos de emigrantes, mas não só. Também desenvolveu projetos com a comunidade madeirense, tendo sido distinguido pela Assembleia Regional da Madeira, e chegou a ser recebido pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na qualidade de cidadão português de mérito no estrangeiro. Em 2021, integrou a Santa Casa da Misericórdia como secretário, tendo sido eleito provedor em novembro de 2025. Atualmente é também empresário em nome individual, na área do imobiliário. É casado, tem duas filhas e duas netas.






