São três os atletas da Marinha Grande que vão alinhar no Campeonato do Mundo 2026 de Footgolf, que está a decorrer em Acapulco, no México, até ao próximo dia 7 de junho

 

Bruno Rosa e Valdemar Soares embarcaram na última terça feira, 26 de maio, rumo ao México, onde vão dar o melhor para dignificar as cores da bandeira de Portugal. Já Marco Santos vai integrar a seleção nacional e apenas viaja esta sexta feira.

 

“Dignificar o nome de Portugal”

Praticante de footgolf há cerca de três anos, Valdemar Soares refere ao JMG ter grandes expectativas quanto à participação no Campeonato do Mundo, atendendo a que vão estar presentes cerca de 1.200 atletas, oriundos de 37 países, realçando que esta é uma oportunidade que não acontece todos os dias. A recuperar de uma lesão, confessa não estar nas melhores condições físicas, mas diz-se “preparado para o desafio”.

Jogador de futebol durante duas décadas, Valdemar Soares assume que “há características do futebol que podem ser muito úteis no footgolf, como dar efeitos na bola, saber como é que deve estar a bola num terreno cheio de água, com vento, inclinações e distâncias”.

Valdemar Soares vai jogar a título individual, na categoria Sénior +55 anos, defrontando diretamente atletas de outras nacionalidades. Tem pela frente quatro dias de competição, entre sexta e segunda-feira. Uma das dificuldades será o clima, muito quente e húmido, o que levou o atleta a participar, na última semana, numa prova em Samora Correia, com temperaturas acima dos 30 graus. “Só quando lá estiver a competir é que vou ver”, acrescenta.

Para poder participar no mundial, teve de procurar apoios e patrocínios que lhe permitissem suportar as despesas com viagens, estadia, alimentação e materiais.

Quanto a resultados, Valdemar Soares refere que “quem me conhece sabe que sempre fui muito competitivo no futebol e em tudo o que faço”, pelo que “se puder ficar em 10.º, não fico em 11.º, e é com esse espírito que vou”. Apesar de “sair daqui com algum sacrifício, vou tentar fazer o meu melhor e dignificar o nome e a bandeira de Portugal”, conclui.

“Um amor à primeira vista”

Bruno Rosa começou a praticar footgolf em 2024 e, por pouco, não alinhou no Campeonato da Europa, que decorreu na Turquia nesse mesmo ano. “Não fui por um lugar. Neste Mundial vou participar na vertente individual e por equipas, e a expectativa é fazer o melhor possível”, assume o atleta marinhense que vai estrear-se numa competição de âmbito internacional.

“Vou desfrutar ao máximo da experiência, porque acho que vai ser gratificante para mim, para os meus colegas da Marinha Grande e de Portugal”, disse ao JMG Bruno Rosa, que vai apostar na máxima concentração. “Vou estar super concentrado, passo a passo, buraco a buraco”.

Ao JMG contou ainda que começou a jogar futebol aos 6 anos, no Sport Lisboa e Marinha, onde fez toda a sua formação desportiva, alinhando depois nos Vidreiros, onde permaneceu até aos 28 anos, tendo sido campeão e comemorado uma subida de divisão. Foi nesse contexto que Flávio Azenha, atleta marinhense e antigo campeão nacional de footgolf, o começou “a desafiar” para a modalidade. “Um dia fui experimentar, fiz um torneio, correu-me bem, gostei muito e foi como que uma paixão, um amor à primeira vista”, revela Bruno Rosa.

Assume alguma ansiedade por se tratar de uma experiência distinta de tudo o que já fez e por não saber como lidar com o clima, mas o foco vai estar no próprio jogo e nas paisagens. “Os campos são bonitos. Vou tentar desfrutar das vistas e fazer um bom jogo”.

“Temos uma seleção muito forte”

Marco Santos dedica-se à modalidade há 6 anos e vai participar no mundial integrado na seleção nacional, na categoria Sénior +45 anos. Embora considere que a modalidade, por ser recente em Portugal, “está a sofrer um bocadinho as dores do crescimento”, o atleta da Marinha Grande recorda o desempenho no Campeonato da Europa, disputado na Turquia, e aponta que “as ambições são muito grandes”.

“Estamos muito orgulhosos por fazer parte deste projeto e as nossas expectativas são bastante altas, porque temos uma seleção muito forte, fruto do trabalho que tem sido feito pela Federação”.

Portugal vai defrontar o campeão do mundo e o campeão europeu, respetivamente, a Argentina e a França, o que o jogador marinhense vê com bons olhos. “Acho que pode ser uma mais-valia, porque queremos jogar sempre com os melhores. São dois jogos extremamente difíceis, mas que nos podem catapultar para outros patamares. Ficámos em 7.º no Campeonato da Europa e agora queremos uma prestação melhor”.

Marco Santos garante que o footgolf é uma modalidade “que está aberta a toda a gente”, com um elevado número de praticantes no concelho e vários espaços disponíveis a nível nacional. Lembra que existem na Marinha Grande alguns jogadores que desta vez não puderam participar, quer por questões profissionais, quer por questões pessoais, “mas que também poderiam acrescentar valor à nossa seleção, e representar a cidade”, sem esquecer o contributo do ex-campeão Flávio Azenha para a modalidade.

De referir que o footgolf junta as duas modalidades que lhe dão nome: o futebol e o golfe. É praticado num campo similar ao de golfe, com buracos de maiores dimensões, joga-se com uma bola de futebol e, em vez de tacos, os jogadores usam as pernas. O objetivo é tentar acertar nos 18 buracos com o menor número possível de toques.

“Como se costuma dizer, quanto mais depressa se fechar o buraco, mais próximos estamos de ganhar, com menos chutes”, remata Marco Santos.