- Escrito Por: Redação
- Política
- 09 outubro 2025
Emanuel Vindeirinho é o cabeça de lista do Chega à Câmara da Marinha Grande nas próximas Autárquicas. Em entrevista ao JMG, o professor de 44 anos aponta os cinco eixos estratégicos em que assenta o seu programa eleitoral, prometendo “acabar com a burocracia”, apostar na segurança, transparência e trabalho. Defende que o mercado volte ao centro da cidade e questiona se o projeto da piscina está adequado às necessidades locais
Por que razão aceitou o convite do Chega para encabeçar uma candidatura ao Município marinhense?
Aceitei porque sou marinhense de corpo e alma: cresci aqui, estudei aqui e é aqui que trabalho todos os dias. Conheço as nossas ruas e sei os desafios de cada freguesia. Tenho orgulho nas nossas raízes, mas também sinto tristeza quando vejo tanto potencial da Marinha Grande desperdiçado.
Não estou nesta candidatura por cargos nem por conveniências. Estou porque acredito que a nossa terra merece mais transparência, trabalho e resultados. Entro nesta missão por amor à Marinha Grande e pelas pessoas que todos os dias lutam, trabalham e acreditam que o futuro começa aqui.
Apesar de não ter experiência política, que contributo pode dar ao concelho?
Justamente por não ter uma carreira política, trago independência e frescura. Venho do terreno, da escola, da tecnologia, do associativismo e das empresas locais. Sou professor e técnico de informática, habituado a inovar, a resolver problemas com rapidez e a trabalhar em equipa. Posso dar à Marinha Grande uma gestão moderna, transparente e próxima das pessoas, sem vícios partidários nem jogos de poder.
Quero trazer para a política a mesma seriedade, dedicação e proximidade que sempre coloquei no meu trabalho e na minha vida. O meu único compromisso é com a Marinha Grande e com os marinhenses.
Quais são as principais propostas que defende para a Marinha Grande?
As minhas propostas assentam em cinco grandes eixos que considero fundamentais para devolver dinamismo e esperança à Marinha Grande:
1. Digitalização e Transparência: Criar um Portal Único do Munícipe e uma App Marinha Digital, onde qualquer cidadão pode pedir licenças, acompanhar processos e saber quanto foi gasto e em quê. Seja uma licença de habitação, uma obra ou uma atividade comercial, hoje os pedidos demoram uma eternidade. Com a digitalização, o cidadão poderá acompanhar tudo online e saber quem é o responsável por cada processo. A Câmara deve estar ao serviço das pessoas, de forma simples, rápida e transparente.
2. Turismo, Cultura e Identidade Local: Lançar a Rota do Vidro e Fogo como marca turística da Marinha Grande, promover um calendário anual de eventos culturais e desportivos, valorizar os artistas locais e revitalizar espaços culturais. Requalificar o pinhal e criar ciclovias que liguem a Moita, Vieira e São Pedro de Moel.
3. Migração, Justiça Social e Segurança: Apostar na videovigilância controlada pela PSP e protegida pelo RGPD, reforçar a iluminação pública e apoiar as forças de segurança com mais meios, incluindo veículos para o programa Escola Segura, garantindo maior presença junto das escolas e das famílias. Ao mesmo tempo, criar programas de integração para quem vem viver e trabalhar no concelho, incluindo ensino da língua portuguesa e promoção das nossas tradições.
4. Educação, Juventude e Empreendedorismo: Reforçar a ligação entre escolas, associações e comunidade. Criar uma Incubadora de Startups para apoiar jovens com ideias inovadoras, dando condições e mentoria para que possam lançar os seus próprios negócios aqui, na Marinha Grande. Além disso, apoiar projetos juvenis, desportivos e culturais que valorizem os talentos locais.
5. Economia, Mobilidade e Desenvolvimento Local: Apoiar o comércio tradicional, atrair investimento para as nossas zonas industriais e devolver o Mercado Municipal ao centro da cidade, como motor do comércio de proximidade. Avançar com a construção de um novo Terminal Rodoviário, moderno e funcional, que sirva melhor os marinhenses e dinamize o centro da cidade.
E quais as prioridades de intervenção?
As minhas prioridades de intervenção são claras e respondem diretamente ao que mais preocupa os marinhenses:
- Segurança e qualidade de vida: Instalar videovigilância em pontos estratégicos da cidade, reforçar a iluminação pública em zonas críticas e adquirir novas viaturas para o programa “Escola Segura”, garantindo que todas as crianças tenham entradas e saídas de escola seguras.
- Economia e emprego: Criar uma incubadora de startups para jovens empreendedores, lançar um programa de incentivos fiscais e logísticos para atrair investimento e apoiar o comércio tradicional, devolvendo vitalidade ao centro da Marinha Grande.
- Digitalização dos serviços: Implementar um Portal Único do Munícipe e a App Marinha Digital, onde qualquer cidadão possa pedir licenças (por exemplo de habitação ou comércio), acompanhar processos em tempo real e saber quanto e onde foi gasto o dinheiro público.
- Turismo, cultura e identidade vidreira: Lançar a Rota do Vidro e do Fogo como marca turística, criar uma agenda anual de eventos culturais e desportivos, revitalizar espaços culturais e valorizar os artistas locais, projetando a Marinha Grande como capital mundial do vidro.
- Apoio social e proximidade às freguesias: Reforçar o apoio às famílias e associações, dar mais investimento à Vieira e à Moita, garantir transportes públicos eficazes e aproximar a Câmara das freguesias, que não podem continuar a ser esquecidas.
O meu objetivo é simples: devolver à Marinha Grande o orgulho, a segurança e a esperança num futuro melhor.
A ausência de respostas da Câmara e a demora na aprovação de projetos têm sido críticas permanentes nos últimos anos. Como pensa resolver estes problemas?
É verdade: a falta de resposta e a burocracia têm paralisado o desenvolvimento da Marinha Grande. Quem investe, quem cria emprego e quem apresenta projetos não pode ficar meses ou até anos à espera de uma decisão. Isso não é apenas um atraso: é matar o futuro do nosso concelho.
É por isso que faço da Digitalização da Câmara Municipal um dos maiores eixos da nossa candidatura. A Câmara tem de estar ao serviço das pessoas, não o contrário.
O que proponho é simples e direto:
- Prazo máximo de resposta 30 dias.
Nunca mais um munícipe ou uma empresa ficará esquecido sem resposta. Hoje há processos parados durante meses. Isso vai acabar.
- Portal Único do Munícipe, a Câmara na palma da mão.
Uma plataforma digital onde qualquer cidadão pode:
- Pedir licenças (construção, comércio, eventos, habitação).
- Acompanhar o andamento, dia a dia.
- Receber notificações no telemóvel ou e-mail.
- Saber quem é o responsável pelo processo.
Chega de andar de balcão em balcão: tudo será simples, rápido e transparente.
- Equipa dedicada à aprovação de projetos prioritários:
Vamos reorganizar os serviços internos para que projetos que geram emprego, habitação e investimento não fiquem na gaveta. Uma equipa com metas claras, prazos definidos e responsabilização direta.
- Transparência total nas contas e projetos à vista de todos:
Qualquer munícipe poderá saber quanto se gasta, onde se gasta e quem decide. Cada processo será público, com prazos, custos e responsáveis identificados.
Isto põe fim às desculpas, aos “atrasos por conveniência” e à sensação de que as coisas ficam paradas porque dá jeito a alguém.
Que visão tem para as três Freguesias?
A minha visão é clara: a Marinha Grande só tem futuro se as três freguesias forem tratadas com a mesma dignidade e atenção. Nenhuma pode ser esquecida.
Marinha Grande - Quero devolver à cidade o dinamismo que já teve. Isso significa revitalizar o centro, apoiar o comércio tradicional, criar espaços culturais vivos e apostar numa Câmara moderna e digital ao serviço das pessoas. A Marinha Grande tem de ser o motor económico e cultural de todo o concelho.
Vieira de Leiria - A Vieira é porta virada ao mar e tem um potencial turístico enorme. Quero requalificar o parque de campismo, dinamizar a frente marítima e dar condições para que a Vieira se afirme como destino de turismo familiar e sustentável. Ao mesmo tempo, reforçar a proximidade com a população, apoiando as associações locais e melhorando os serviços públicos.
Moita - A Moita tem sido a freguesia mais esquecida, mas tem de deixar de o ser. Merece mais investimento em infraestruturas, na valorização dos seus espaços públicos e na ligação às restantes freguesias. Quero apostar em ciclovias que liguem a Moita à Vieira e à Marinha, e dar condições para que a Moita seja reconhecida como parte ativa e integrada do concelho.
A segurança é um dos temas na ordem do dia. Concorda com o presidente Aurélio Ferreira quando diz que vivemos num concelho seguro? Porquê?
Não posso concordar com a visão de que a Marinha Grande é um concelho seguro. A realidade é clara: há poucos anos tínhamos perto de 80 agentes da PSP e hoje restam pouco mais de 30. Perdemos efetivos da PSP e da GNR, perdemos a Divisão de Trânsito e a Divisão de Investigação, e temos uma Esquadra degradada, sem condições dignas para agentes e cidadãos.
Enquanto isso, aumentam os roubos por esticão, os assaltos a residências, as barracas ilegais em algumas zonas e, infelizmente, também os casos de violência doméstica.
Perante isto, defendo medidas concretas:
- Reforço urgente de efetivos da PSP e da GNR, pressionando o Governo a cumprir o seu dever com a Marinha Grande.
- Requalificação da Esquadra da PSP e criação de uma sala humanizada e de um Gabinete de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica.
- Mais viaturas para PSP e GNR no programa “Escola Segura”, garantindo tranquilidade às famílias.
- Instalação de videovigilância e reforço da iluminação pública em pontos críticos.
Digam o que disserem, a verdade é que os marinhenses sentem insegurança. Eu vou lutar para que as nossas famílias voltem a viver sem medo.
Enquanto professor, que medidas considera que devem ser implementadas no concelho no domínio da educação?
A educação tem de ser um dos pilares centrais da transformação da Marinha Grande. Defendo medidas concretas e práticas:
1. Rever a Carta Educativa e aproximar os 3 agrupamentos:
- Atualizar a Carta Educativa para responder às necessidades atuais das famílias e da comunidade escolar.
- Promover maior articulação entre os três agrupamentos, com partilha de recursos, boas práticas e projetos comuns.
2. Reforço de assistentes operacionais, técnicos e mediadores:
- Reforçar o número de assistentes operacionais, essenciais para o funcionamento das escolas.
- Investir em técnicos especializados (psicólogos, terapeutas, mediadores), garantindo apoio social e emocional.
- Garantir mediadores educativos que apoiem os diretores de turma, aproximando famílias e escolas.
3. Digitalização equilibrada e higiene digital:
- Criar uma plataforma digital única para simplificar processos escolares.
- Promover uma verdadeira higiene digital: menos tempo de ecrã, mais contacto humano, desporto e artes.
- Prevenção do cyberbullying e da exposição a riscos online (como sexting e exploração sexual), através de programas educativos e de sensibilização junto de alunos e pais.
4. Escola mais segura e inclusiva:
- Reforçar o programa Escola Segura em articulação com PSP e GNR.
- Criar gabinetes de apoio psicológico e social, prevenindo violência, bullying e exclusão.
5. Metodologias Ativas, Artes e Comunidade:
- Apoiar e valorizar as artes nas escolas: música, teatro, dança, pintura e vidro artístico, reforçando a identidade cultural da Marinha Grande.
- Promover metodologias ativas (aprendizagem baseada em projetos, oficinas colaborativas, ligação ao território).
- Estimular parcerias com empresas, associações e artistas locais para projetos reais em ciência, tecnologia, desporto e cultura.
- Criar clubes e laboratórios de ciência, robótica, artes e desporto, tornando a escola um espaço vivo de talento e inovação para toda a comunidade.
O Chega defende a construção de um novo Mercado Municipal? Em que localização e com que funcionalidades?
Defendo que o Mercado Municipal nunca devia ter saído do centro da Marinha Grande. O mercado sempre foi o coração da cidade, dava vida ao comércio tradicional e era um ponto de encontro para gerações de marinhenses. Por isso, o que proponho é simples: construir um novo Mercado Municipal no mesmo local onde sempre esteve é algo que quero analisar com seriedade.
- Espaço para os vendedores tradicionais, com condições de higiene e conforto;
- Uma zona dedicada a produtos locais e artesanato, valorizando a identidade da Marinha Grande;
- Restaurantes e tasquinhas que atraiam visitantes e turistas.
O Mercado Municipal deve ser mais do que um local de compras, deve ser um ponto de vida, cultura e identidade, devolvendo movimento ao centro da cidade e apoiando os pequenos comerciantes.
E o projeto da piscina? Vai avançar nos moldes atuais?
A piscina é importante, mas o investimento previsto é completamente surreal. Não podemos avançar com um projeto que pode transformar-se num peso insustentável para a Câmara e para os marinhenses.
Temos de ouvir quem está no terreno, em especial o Clube Náutico, que conhece de perto as necessidades e pode dar contributos decisivos. Só assim garantimos uma piscina moderna, eficiente e acessível, que sirva as escolas, os clubes, as associações e as famílias.
Eu não digo “não” à piscina. Digo sim a uma piscina bem feita, realista e útil para todos.
Qual a sua visão para o associativismo?
O associativismo é uma das maiores forças da Marinha Grande. São as nossas associações que mantêm viva a cultura, o desporto, a música, as tradições e até o apoio social. Muitas vezes fazem mais pela comunidade do que pelo próprio poder político. Em primeiro lugar, criar um programa anual de apoio financeiro às coletividades, com critérios claros e iguais para todos, acabando com o favorecimento político. Depois, garantir apoio logístico, disponibilizando transportes municipais e apoio técnico para quem organiza eventos. Também quero investir na melhoria das instalações e equipamentos, através de candidaturas conjuntas a fundos nacionais e europeus, para que as associações tenham condições dignas. Defendo ainda a criação de protocolos entre associações e escolas, para que a cultura, o desporto e a música cheguem diretamente aos jovens, fortalecendo laços comunitários. As nossas coletividades fazem mais pela terra do que muitos políticos. Cabe à Câmara estar do lado delas.
O que será para si um bom resultado no próximo dia 12 de outubro?
Um bom resultado para mim é simples: ver os marinhenses a acreditar que é possível mudar e darem-me a confiança para liderar essa mudança.
Se todos os dias confiam em mim para educar os seus filhos, então também podem confiar em mim para liderar o concelho e garantir um futuro melhor para as nossas famílias.
Por que razão devem os marinhenses votar na candidatura do Chega?
Os marinhenses devem votar no Chega porque trazemos algo que falta há muitos anos: verdade, trabalho e resultados. Não estamos nesta corrida por cargos ou conveniências, mas por missão e amor à Marinha Grande.
Queremos devolver segurança às famílias, digitalizar e tornar transparente a Câmara para acabar com a burocracia, apoiar a economia local e criar oportunidades para os jovens. Defendemos a valorização da nossa identidade vidreira, da cultura e do turismo, e queremos dar às freguesias da Vieira e da Moita a atenção que merecem e que tantas vezes lhes foi negada.






