O Centro Hospitalar de Leiria (CHL) acaba de criar o Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, que visa a prestação de cuidados e intervenções diferenciadas na área da saúde mental à população de idade pediátrica, até aos 18 anos

 

O novo Serviço é constituído por três médicas pedopsiquiatras e uma psicóloga clínica, e o seu campo de intervenção abrange um espectro alargado de atividades que englobam: ações de promoção e prevenção no âmbito da saúde mental, estratégias de prevenção e intervenção precoce, para casos com os primeiros sinais de perturbação, bem como avaliação diagnóstica e tratamento, para aqueles que já apresentam uma perturbação definida.

Para Licínio de Carvalho, presidente do Conselho de Administração do CHL, trata-se de “mais uma área de especialidade médica que disponibilizamos aos nossos utentes, considerando as necessidades específicas e crescentes da população mais jovem da nossa área de influência”, reiterando que “continuamos a apostar no reforço das funções assistenciais diferenciadas, um eixo fulcral na nossa estratégia de crescimento”.

Segundo o CHL, a intervenção centra-se na esfera individual e/ou familiar, em articulação com outras especialidades médicas e não médicas nas áreas da saúde e educação. O novo serviço vai dar resposta aos doentes no Hospital de Santo André, no Hospital Distrital de Pombal e no Hospital de Alcobaça, sempre em regime de ambulatório.

O Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência inclui a consulta externa, o apoio ao internamento pediátrico, e a colaboração com os Tribunais e Núcleo Hospitalar de Crianças e Jovens em risco.

De acordo com Graça Milheiro, diretora do novo Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do CHL, está ainda na calha a implementação de um programa de promoção da Saúde Mental em crianças e jovens, que inclua ações formativas nesta área dirigidas a várias entidades.

De referir que o CHL já dispunha de uma Unidade Funcional de Pedopsiquiatria, que agora se autonomiza para dar lugar ao novo Serviço. O aumento considerável de pedidos de consulta, justificados por quadros de perturbações ansiosas e depressivas com risco de suicídio, perturbações graves do comportamento que põem em risco o próprio e os outros, os quadros de perturbações emocionais e comportamentais em contexto de famílias disfuncionais, as dificuldades escolares associadas a perturbação emocional/comportamental e o reforço dos recursos, especialmente médicos, na especialidade em causa, contribuiu para a necessidade do CHL dar uma resposta atempada e eficaz às crianças e adolescentes com patologias do foro mental.

“A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 20% das crianças e adolescentes apresente, pelo menos, uma perturbação mental antes de atingir os 18 anos de idade, e sabe-se que existe uma continuidade da psicopatologia da infância e da adolescência para a vida adulta. Estes factos justificam a necessidade de intervenções no âmbito da saúde mental infantil e juvenil, no sentido de tratar precocemente as perturbações mentais para tentar diminuir as consequências negativas da psicopatologia a longo prazo”, refere a diretora.

Para Graça Milheiro, “a criação deste Serviço, em tempo de pandemia, reveste-se de uma enorme pertinência. Embora a prioridade, no atual momento, seja a sobrevivência e as pessoas estejam focadas no “inimigo comum”, quando a pandemia passar as pessoas vão focar-se naquilo que sentem e, nessa altura, os pedidos de consulta de psiquiatria vão aumentar. Não podemos deixar o país cair numa crise económica, mas também não podemos deixar o país devastado emocionalmente”.

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