O Gabinete de Apoio Psicossocial (GAP) da Junta de Freguesia da Marinha Grande organizou a segunda sessão do seu ciclo de conversas “Falar de Assuntos da Comunidade para a Comunidade”. A iniciativa decorreu no passado dia 21 de maio, no Espaço Cidadão



 

“Benefícios e Desafios de uma Comunidade Multicultural” foi o tema sobre o qual incidiu esta segunda conversa, inserida no âmbito do Mês da Diversidade Cultural, que contou com a mediação de Elisabete Carreira, socióloga do GAP, e a colaboração de cinco oradores entendidos no assunto.

José Carlos Marques, docente no Instituto Politécnico de Leiria, foi quem iniciou a sessão, abordando o tema “Imagens sobre a imigração e a integração”. “Por imagens entende-se perceção”, explicou o docente, ou seja, a perceção que a sociedade tem sobre determinado assunto. O orador apresentou alguns dados estatísticos que comprovam que o fluxo migratório não cresceu assim tanto nos últimos anos. “No século XIX havia cerca de 2,5% a 3% de imigrantes, em 2020 havia 3,6%”. Relacionou esta questão também com a política, mostrando que, por vezes, os países que têm pouca percentagem de imigrantes são aqueles com políticas mais anti-imigração. “No Luxemburgo, 47% da população é de nacionalidade estrangeira, no entanto, o país europeu que mais se opõe à imigração é a Hungria que tem apenas 2,4% de estrangeiros”. José Marques acrescentou que “a cor da pele é o fator que mais contribui para a discriminação”.

A segunda oradora a intervir foi Ana Laura Baridó, enfermeira, que falou sobre “Migração e Saúde: desafios e caminhos para um acolhimento digno e inclusivo”. Afirmou que foi em 2022 que se notou o aumento da imigração e, por isso, houve necessidade de “melhorar o acesso, qualidade de acolhimento e segurança dos cuidados de saúde da população imigrante no Centro de Saúde da Marinha Grande”. As barreiras linguísticas e culturais na prestação de cuidados foram alguns dos desafios apontados pela enfermeira.

Seguiu-se José Reis, diretor do Departamento para a Igualdade e o Combate ao Racismo, à Xenofobia e à Discriminação, da AIMA, que também apresentou dados sobre a imigração em Portugal relativos a 2023. “Haviam 1.044.606 estrangeiros, sendo que predominavam as nacionalidades brasileira (368.449), angolana (55.589) e cabo-verdiana (48.885)”, acrescentando que “devemos ver a migração como uma oportunidade e não como uma ameaça”. José Reis afirmou que, em 2024, “Portugal teve cerca de 1.700.000 emigrantes, se enviarmos os imigrantes embora as nossas empresas, por exemplo, vão colapsar”. Também esteve presente Taíssa Cavalcanti, da AIMA.

Por último, foi a vez de Rita Godinho e Carmelita de Jesus, técnicas da Área Social do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) da Marinha Grande. Este espaço de acolhimento de migrantes está aberto apenas desde outubro de 2024 e já realizou 287 atendimentos presenciais, registando uma maior procura pelas mulheres, e utentes maioritariamente brasileiros, indianos e angolanos. Contacto com a AIMA, atribuição de autorização de residência e respetiva renovação, reagrupamento familiar, registo de menores e pedidos de informação sobre direitos e legislação em vigor, são os pedidos que as técnicas afirmam que mais recebem. A conversa terminou com um momento de debate com o público presente.