As instalações da Edilásio Carreira da Silva, na Marinha Grande, abriram as suas portas na última sexta feira, 17 de janeiro, para assinalar os 75 anos de existência da empresa, na presença de antigos e atuais colaboradores, responsáveis, parceiros e representantes das forças vivas locais

 

Nas palavras que dirigiu, Joaquim Menezes, presidente do Grupo Iberomoldes, ao qual a Edilásio pertence desde 1978, recordou que esta empresa, como tantas outras, teve início numa garagem, elogiando a visão do seu fundador, o Sr. Edilásio Carreira da Silva, e o percurso que tem vindo a ser trilhado até ao patamar de excelência em que se encontra.

Lembrou que a Edilásio, atualmente a segunda empresa de moldes mais antiga em atividade no país, foi a casa de vários outros empresários que aí despertaram para a indústria dos moldes e congratulou-se por 2025 ser um ano de celebrações: a 30 de junho completam-se 80 anos da fundação da Aníbal H. Abrantes, e a 15 de setembro os 50 anos da Iberomoldes.

Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal saudou todos os que passaram pela empresa e que contribuíram para o sucesso alcançado. Aurélio Ferreira destacou “o papel histórico e estratégico da Edilásio Carreira da Silva para a economia e identidade local, que soube acompanhar a evolução e inovação, sendo uma referência mundial na indústria de moldes”. Lembrando o momento atual da indústria, o autarca fez votos para que as “dificuldades tragam novas oportunidades e se consiga ultrapassar a situação”, numa indústria “que tanto nos honra e dá valor à Marinha Grande”. “Vamos continuar o trabalho para sermos os melhores do mundo inteiro”, concluiu.

Joaquim Matos, presidente do Grupo Matosgest, pediu para intervir e, num discurso emocionado, recordou as várias funções que desempenhou na Edilásio, onde testemunhou a sua evolução e a aposta contínua na inovação. Para o empresário da Marinha Grande, a Edilásio Carreira da Silva “foi a universidade dos moldes em Portugal”.

“Pegar na mala e ir à procura”

Atualmente com 60 trabalhadores, a Edilásio exporta entre 85 a 90% da sua produção para o espaço europeu e para Israel, onde se encontra o cliente mais antigo da empresa (desde 1978). À margem da cerimónia, Joaquim Menezes deu conta da “grande dependência” da indústria automóvel e “ao contrário da grande maioria das pessoas queremos continuar”, afirmou, acrescentando que “a indefinição [na indústria automóvel] existiu sempre, não só temos de encarar essa indefinição como encontrar formas de lhe dar a volta”.

Instado pelos jornalistas a respeito da sua visão para o setor na próxima década, Menezes lembrou que já é “um dinossauro” nesta indústria, considerando que os últimos 20 anos “foram estáveis e a crescer”. “Eu venho do tempo em que as crises eram de 3 em 3 anos, tão depressa estávamos bem como depois estávamos mal, por isso acho que temos de encarar os tempos que aí vêm como períodos de oscilação e descobrir mercados que cubram a parte do mercado que não está tão recetiva como pensávamos que ia estar”.

Para o presidente do Grupo Iberomoldes, há que “pegar na mala, ir para o mercado, descobrir novos clientes tal como todos fizemos, e eu fiz isso durante muitos anos, ir à história da indústria desde que ela começou e ir à procura”. E lembrou que “percorri Israel de uma ponta à outra, andei a conduzir na Faixa de Gaza, algo impensável hoje em dia, e a intenção era descobrir empresas que precisavam de moldes para lhos vender e descobri um mercado com um futuro muito promissor”.

Como tudo começou…

 

Edilásio Carreira da Silva, ainda como responsável (encarregado) da secção de serralharia de moldes da Companhia Industrial Portuguesa, instalou-se, em 1950, numa pequena oficina, que viria a ser o embrião da futura fábrica em Picassinos. Na altura, a Aníbal H. Abrantes, também do Grupo Iberomoldes, já laborava desde meados de 1945.

O legado assumido pelo Grupo Iberomoldes, em conjunto com o Grupo RAR – Refinarias de Açúcar Reunidas, em 1978, permitiu continuar a desenvolver o propósito “sonhado” pelo seu fundador, continuando a desenvolver-se e a ser uma referência na Indústria Portuguesa de Moldes.

A Edilásio, já integrada no Grupo, foi a primeira empresa de moldes na Europa a introduzir um sistema CAD/CAM multi-terminal, um sistema MCAUTO/McDonnell Douglas (em 1983), que lhe permitiu “dar um passo gigante na senda da adoção pioneira de tecnologias digitais, agilizando de forma direta a interação plena com as empresas clientes, partes integrantes de importantes grupos multinacionais”.

À semelhança da Aníbal H. Abrantes, a Edilásio sempre se destacou na Indústria de Moldes Portuguesa, não só pela tipologia de moldes e mercados, mas fundamentalmente pelo papel dinamizador e inovador, que desde sempre assumiu. Sendo a formação um dos pilares que esteve na génese desta empresa, muitos foram os técnicos de moldes que lá se formaram e que atualmente nas suas próprias empresas, ou como parte dos quadros profissionais em outras congéneres, demonstram a importância destas “escolas” no desenvolvimento e crescimento orgânico da Indústria.

Segundo o Grupo Iberomoldes, a capacidade de angariação de novos clientes por parte da Edilásio assumiu especial revelo na década de 60, e seguintes, tendo sido estabelecidas “as primeiras relações económicas com compradores externos marcantes, criando e promovendo uma cultura muito própria e inovadora para a época”.

“A Indústria de Moldes desenvolveu-se até hoje com a contínua introdução de tecnologias emergentes e, sobretudo, com relações de confiança com os mercados exteriores e clientes, a maioria das quais ainda hoje persistem” e desde cedo se percebeu que o caminho passava pela exportação.

“Os mercados externos são uma característica diferenciadora, que a Indústria viria a desenvolver e a alavancar, permitindo nos dias de hoje indicadores de exportação acima dos 90% da sua produção”, refere o Grupo.

O futuro desta Indústria, que em 2025 celebrará os seus 80 anos, “continua assente no inevitável desenvolvimento tecnológico e organizacional, no capital humano e consequente desenvolvimento de competências e conhecimento, e não menos importante, fortemente dependente da sua capacidade de Cooperação, Adaptação e Re-Invenção, continuando a trajetória que lhe é reconhecida e se converte numa estratégia de exigência e excelência permanente”.

Para os responsáveis pelo Grupo, celebrar 75 anos de atividade, “é também a contínua responsabilidade de olhar o futuro e monitorizar os enormes desafios em grande mutação, assumindo o legado dos fundadores pioneiros, a vontade de vencer e fazer com que as nossas empresas continuem a estar na frente, enquanto empresas de referência, em Portugal e no panorama industrial internacional”.