A Crisal, única produtora portuguesa de vidro de mesa, e a Rega Energy, empresa de energias renováveis com sede em Portugal, acabam de anunciar um “marco histórico” com a assinatura de um acordo de longo prazo para o fornecimento de gases renováveis, designadamente hidrogénio e oxigénio verdes

 

O acordo vai contribuir para que a LCGlass – grupo internacional onde a Crisal e a sua parceira neerlandesa, Royal Leerdam, estão inseridas – atinja o objetivo de se tornar um dos produtores de vidro de mesa mais sustentáveis da Europa.

“A LCGlass, apoiada pelo seu investidor, Anders Invest, vê este acordo como um primeiro e importante passo para a descarbonização da produção de vidro de mesa. As circunstâncias de apoio do Governo Português e da União Europeia tornam este investimento viável para a Crisal, assim como a parceria com a Rega, com quem estamos entusiasmados em trabalhar neste importante projeto”, referiu Antoine Jordans, CEO da LCGlass.

Já Thomas Carrier, CEO da Rega Energy, salientou que “os produtos «Made in Portugal» são uma referência de excelência, graças à sua qualidade, competitividade, rastreabilidade e resiliência da cadeia de abastecimento. Em Portugal, os recursos renováveis são abundantes: o vento, o sol e a energia hídrica tornam a eletricidade do país quase totalmente renovável, com uma percentagem de 82% no primeiro semestre de 2024”. Com esta parceria de longo prazo, “a Crisal produzirá de forma mais sustentável, maximizando a eletrificação do seu processo industrial e utilizando o hidrogénio e o oxigénio verdes da Rega Energy no consumo remanescente”, refere o responsável, acrescentando que “estamos orgulhosos desta jornada coletiva. Na Rega Energy, a nossa missão é apoiar muitas outras indústrias hard-to-abate em Portugal, fornecendo, em última instância, a nossa energia renovável para a produção de alguns dos produtos mais sustentáveis do mundo. «Made in Portugal. Made sustainable»”.

Crisal: oito décadas de inovação e excelência

Este acordo surge no ano em que a Crisal celebra oito décadas pautadas pela inovação e excelência na indústria do vidro, durante as quais tem evoluído continuamente para ir ao encontro das necessidades de clientes e mercados em constante mudança. Atualmente, a empresa está a implementar uma estratégia fortemente focada na descarbonização, apoiada pela Anders Invest e pelo Programa de Recuperação e Resiliência de Portugal. Neste contexto, e durante este ano, a Crisal está a instalar um forno de fusão de vidro de última geração, com um nível de eletrificação até um máximo de 80%, o que reduz significativamente a dependência dos combustíveis fósseis. O restante consumo de gás natural será gradualmente substituído por gases renováveis fornecidos pela Rega Energy.

Forno oxi-híbrido contribui para a descarbonização

A Crisal iniciou em agosto último a demolição do antigo forno regenerativo, que será substituído por um forno oxi-híbrido, com combustão a oxigénio. “Este será não só um passo significativo para aumentar a capacidade de produção e ganhar flexibilidade para atender às necessidades dos clientes, mas também reduzirá o impacto ambiental da atividade”, como fez saber a empresa. Ao aumentar o nível de eletrificação e ao introduzir gases renováveis no processo de produção, a Crisal reduzirá significativamente a sua pegada carbónica.

De acordo com Carlos Viegas, Diretor Industrial da Crisal, “as diretivas e políticas da UE são bem conhecidas, e o objetivo de neutralidade carbónica em 2040 é um desafio para a indústria do vidro, que exige a adoção de novas tecnologias, investimentos substanciais, e uma dose elevada de risco. É uma mudança que está a ser fortemente apoiada pelo nosso investidor, Anders Invest, além de contar com uma ótima colaboração com outros parceiros do projeto”.

O novo forno tem um prazo de construção de 100 dias, desde as etapas de drenagem e demolição do forno atual (já concluídas), e pela construção do forno oxi-híbrido, aquecimento e enchimento, prevendo-se a conclusão dos trabalhos no próximo mês de dezembro.

Ainda segundo a empresa, “o design do forno de fusão e a tecnologia de combustão utilizada permitirão produzir de forma mais sustentável (reduzindo as emissões, o consumo de energia, e melhorando as condições de trabalho)”, pelo que a Crisal “desempenhará assim um papel de liderança na descarbonização da indústria em Portugal e na Europa”.