Foi com os olhos postos no futuro que a empresa Aníbal H. Abrantes – Indústrias de Moldes e Plásticos, SA, assinalou, a 30 de junho, 80 anos de existência

 

A celebração ficou marcada por uma cerimónia que juntou antigos e atuais colaboradores, bem como as forças vivas da região, e que decorreu no chão de fábrica, culminando com o cantar dos parabéns e um brinde à longevidade e ao futuro daquela que é a “mãe” da indústria portuguesa de moldes.

Na ocasião, Joaquim Menezes recordou que iniciou a sua carreira profissional precisamente na Aníbal H. Abrantes, em 1963. O presidente do Grupo Iberomoldes, ao qual pertence a Aníbal H. Abrantes, referiu-se àquela unidade como sendo “a casa das grandes inovações”, recordando o seu percurso com foco na inovação, competitividade, desenvolvimento tecnológico, na exportação e na permanente satisfação dos clientes, fatores sem os quais “não existiríamos”.

O responsável lembrou a queixa frequente do setor de moldes de falta de pessoal, enaltecendo o trabalho do CENFIM, que viu nascer em 1985 e que desde essa altura tem formado muitos recursos humanos para a indústria.

Convidado a usar da palavra, o presidente da Câmara enalteceu o trabalho e a dedicação de todos quantos passaram pela empresa “mãe” da indústria portuguesa de moldes ao longo destes 80 anos, considerando que a Aníbal H. Abrantes é uma instituição que simboliza esta indústria no mundo inteiro.

Aurélio Ferreira lembrou que a Aníbal H. Abrantes foi uma escola para muitas pessoas e que abriu caminho a muitas outras empresas que surgiram nas décadas de 50 e 60 do século passado.

“Todos somos orgulhosamente Abrantes”, afirmou o autarca, fazendo votos que a empresa continue o seu trabalho e a criar mais motivos de orgulho para a comunidade em que se insere.

João Faustino, presidente da Associação Nacional da Indústria de Moldes, exaltou os 80 anos de atividade de um setor pujante como o setor de moldes, aludindo à “fase de mudanças” em curso. Para o responsável, há a expectativa de que o futuro “será mais ou menos risonho em função das condições geopolíticas que venham a acontecer no mundo”.

Aníbal Curto Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal, destacou, por sua vez, que a Aníbal H. Abrantes “foi sempre pioneira em termos tecnológicos, esteve sempre um pouco à frente do desafio que se apresentava e assim continua”.

A “mãe” da indústria de moldes

Fundada por Aníbal Henriques Abrantes em 30 de junho de 1945, na sequência da cisão com a firma Aires Roque & Irmão, a Aníbal H. Abrantes foi a primeira empresa nacional exclusivamente dedicada à produção de moldes para plásticos, sendo reconhecida como a “mãe” da indústria portuguesa de moldes.

Sedeada na Marinha Grande, foi o ponto de partida para o desenvolvimento de um setor que viria a projetar Portugal no mundo, consolidando-se como “a origem, e espinha dorsal, da indústria portuguesa de moldes”.

Num tempo em que o plástico era ainda uma novidade industrial em Portugal, a Aníbal H. Abrantes inovou ao desenvolver moldes por iniciativa própria, inspirando-se em produtos estrangeiros adquiridos em feiras ou lojas especializadas. “Esta visão permitiu-lhe antecipar tendências e introduzir a moldação por injeção de plásticos no país, fazendo da sua empresa um verdadeiro laboratório de inovação”, refere a empresa em comunicado.

A década de 1950 foi marcada pela expansão e consolidação e em 1953 são inauguradas novas instalações com equipamentos modernos e layout funcional. Seguiu-se a internacionalização e as primeiras exportações regulares para os Estados Unidos, “um marco pioneiro que consolidou o papel de Portugal como fornecedor de excelência em mercados exigentes”.

A empresa viria a tornar-se numa fábrica-escola informal de técnicos altamente qualificados, muitos dos quais fundaram empresas que viriam a ser os alicerces da indústria de moldes nacional. Nas décadas de 60 e 70, a empresa introduziu tecnologia e processos inovadores, bem como práticas de gestão sustentáveis.

Em 1972, a Explosivos da Trafaria adquiriu 75% do capital social da Aníbal H. Abrantes, em março de 1977 o fundador afastou-se da direção, e em 1975 a Explosivos da Trafaria viria a transferir as ações para a Sociedade Financeira Portuguesa.

Em 1985, 20% do capital é adquirido pela IBEROMOLDES. Em associação com a HASBRO, Inc dos USA - a maior empresa de brinquedos do mundo - histórico cliente da EDILÁSIO, permitiu a aquisição da esmagadora maioria do capital e o controlo da Aníbal H. Abrantes pelo Grupo em agosto de 1986. Esta operação foi efetuada, através da primeira oferta pública de aquisição, OPA, registada na Bolsa de Valores Portuguesa. Com esta aquisição a IBEROMOLDES passou a incorporar a Aníbal H. Abrantes no seu Grupo empresarial.

A Aníbal H. Abrantes “mantém o compromisso com a excelência, tendo sido recentemente distinguida com o selo "Qualified by EFQM", atribuído pela European Foundation for Quality Management”, mantendo “a sua vocação exportadora e de inovação, na aposta contínua na formação técnica e tecnológica, digitalização e sustentabilidade”.

“Celebrar os 80 anos da Aníbal H. Abrantes é celebrar a génese de uma indústria, o engenho de um homem e o espírito resiliente da Marinha Grande”, refere a administração da empresa, para a qual “este marco não é apenas um aniversário empresarial – é um tributo à história industrial de Portugal e à capacidade de inovação que molda o futuro”.