Ginástica da mente, Cultura divertida e Teatro são apenas algumas das disciplinas disponíveis neste ano letivo de 2021/2022 na Universidade Projetos de Vida Sénior, que desenvolve as suas atividades nas instalações do Instituto Superior D. Dinis, na Marinha Grande. O JMG foi saber o que leva tantos seniores – mais de 60 anos – a voltar à escola nesta fase da vida

 

Já imaginou o que seria poder manter-se ocupado, aprender novas matérias, cultivar amizades e realizar visitas de estudo depois dos 60 anos? Isto mesmo é o que fazem os alunos da Projetos de Vida Sénior que já não se imaginam sem esta valência e as oportunidades que esta lhes traz.

Aurélia Natário já frequenta a Projetos de Vida Sénior há 3 anos e não hesita em fazer um balanço “muito bom” desta experiência. Realça os diferentes tipos de aulas ministradas, dirigidas ao físico e ao intelecto, concluindo que “estar em casa é muito mau”. Refere ter tido conhecimento sobre a Universidade Sénior através de colegas que já frequentavam, gosta de ser aluna e considera que “é uma mais-valia para toda a gente, para não ficarmos em casa no sofá”. Ginástica Emocional e Tai Chi são algumas das disciplinas em que se inscreveu e todos os dias tem aulas.

Auzinda Varanda disse o JMG que pertencer a este projeto trouxe importância à sua vida, mas também emoção, conhecimento e saúde. Foi onde ganhou o “bichinho” do voluntariado, que faz atualmente na Porta Azul. Assume que ada vez se sente melhor na Universidade Sénior, mais forte e rejuvenescida. “Esta casa é o melhor que temos, sinto-me mais saudável e com menos idade” do que aquela que o cartão de cidadão regista. “Aprendi muito aqui”, realça.

Também Maria Angélica de Jesus se sente “muito bem” na Projetos de Vida Sénior, onde vai mais pelo convívio e pela ocupação do que propriamente pela aprendizagem. Português e Escrita são as disciplinas prediletas. Destaca a importância de estar ocupada após uma vida de trabalho, e a possibilidade de usufruir de um vasto leque de atividades, incluindo visitas de estudo a vários pontos da região e do país. Em casa, o marido apoia-a neste desafio e contribui para que as “coisas” possam estar sempre “orientadas”.

“A Projetos de Vida trouxe as pessoas de volta à sociedade”

Artur Granja, presidente da direção da Cooperativa, faz um balanço “bastante positivo” dos 7 anos de existência da universidade, afirmando que “a Projetos de Vida Sénior teve a capacidade de retirar as pessoas de casa, do seu isolamento, e trazê-las de volta à sociedade”, destacando o “importante papel” que instituições como esta fazem junto da 3.ª idade. “Os familiares diretos pouca possibilidade têm de lhes dar o acompanhamento que eles necessitam e deixar os idosos em casa é péssimo, para todos os efeitos, físicos e morais, e este projeto tem como alavanca trazer essas pessoas e os resultados são bastante positivos”, realça o responsável.

Artur Granja falou ao JMG sobre a situação “difícil” em que ficou o projeto por via da pandemia e tendo em conta que o mesmo “assenta na base do voluntariado”, lamentando que “quem nos poderia ter auxiliado nestes momentos mais difíceis foi quem deu quase um passo atrás. Os subsídios chegaram tarde e a más horas, o nosso ainda não chegou, mas o que chega é para tapar um buraco muito pequenino”, referindo-se ao poder autárquico e ao período mais crítico da pandemia.

“Temos 21 professores voluntários a dar aulas e precisávamos de mais apoio das autarquias”, referiu o presidente da Direção, salientando que a Junta de Freguesia da Marinha Grande “nos momentos em que mais precisámos, foi quem mais rapidamente desbloqueou a verba”.

“Estas instituições, face ao trabalho que estão a realizar, deviam ter sido apoiadas muito mais cedo, com mais montantes e mais repartido nos momentos em que mais precisávamos. Esta casa não está a viver uma situação financeira muito fácil, porque também houve restrições dos alunos, muitos deixaram de pagar as quotas e tínhamos despesas fixas. Tivemos de assumir os nossos compromissos porque somos pessoas sérias, de bem e responsáveis”, lamentou.

Oriundo da área da Proteção Civil, Artur Granja também integra o corpo de docentes voluntários e partilha um pouco dos seus conhecimentos com estes alunos seniores.

Vulcões, cheias e incêndios são alguns dos temas das suas aulas. O objetivo “é dar-lhes a conhecer os riscos do concelho em que vivem”, mas aqui o professor também aprende. “No final de cada aula levo o ego cheio. Deparamo-nos com alunos das várias áreas da sociedade de trabalho e que também nos dão muitos ensinamentos da sua vida prática, do seu dia a dia, do que foram os seus anos de trabalho”, acrescentando que “somos quase uma família. Foi pena ter surgido o vírus…”

“Estávamos com uma classe de risco, devido à idade. Tivemos dois anos difíceis mas nunca deixámos o projeto cair. Com a Daniela Anéis, mentora deste projeto, e a Sílvia Gemito, que é uma mais-valia para todos nós, conseguimos segurar o barco e levá-lo a bom porto”, concluiu o responsável.

“Temos mostrado capacidade de inovar”

Daniela Anéis, coordenadora pedagógica, realçou ao nosso jornal as mais-valias que o projeto proporciona junto dos seniores ao longo dos seus já 7 anos de atividade. “É um projeto muito rico, com muitas atividades e experiências novas e temos mostrado ao longo dos anos que temos capacidade de inovar, não é a pandemia que nos vai parar”. Aliás, a pandemia permitiu à Universidade “reinventar-se” e transpor para o meio digital as suas aulas e respetivos conteúdos.


No final, o balanço foi “bom”, sobretudo quando ocorreu o segundo confinamento, ocasião em que todos, alunos e professores, estavam preparados e a Universidade pôde prosseguir com a sua atividade através das plataformas digitais. Agora, e no regresso às aulas, num formato misto, com sessões presenciais, em contexto de sala de aula, mas também conteúdos lecionados online, Daniela Anéis destaca a panóplia de disciplinas que compõem o horário da Projetos de Vida Sénior. Redes sociais e Internet, Lavores, Iniciação ao Inglês, Ginástica e Mindfulness, Yoga e Auto Estima e Motivação, várias são as opções colocadas aos alunos e que vão ao encontro dos seus interesses. Na Projetos de Vida é assim possível exercitar, verdadeiramente, corpo e mente e prova disso é o caso de alunas de 84 anos que frequentam as aulas de ginástica, como confidenciou a coordenadora pedagógica, e que, por esse facto, são “uma inspiração e exemplo de resiliência”. Os cerca de 70 alunos que frequentam este ano letivo a universidade têm 21 disciplinas à escolha e mais de 30 horas letivas.


A responsável salienta o “cuidado extremo” com a aplicação do plano de contingência tendo em conta a pandemia, com desinfeção e limpeza constante dos espaços. São 12 as pessoas por cada turma mas sempre que necessário as aulas podem decorrer no auditório para garantir a segurança de todos. “Fazemos os possíveis para que as pessoas se sintam bem porque sabemos que precisam deste estímulo e deste desafio. Precisam de sair de casa, do convívio social e sabemos que lhes fazemos bem. Quem está aqui usufrui e tem mais qualidade de vida”.

“Temos que continuar a viver e a usufruir da vida, porque esta é uma nova realidade”, refere a responsável, que lembra que ainda há vagas disponíveis e a qualquer momento novos alunos podem integrar o projeto.

Carla Fragoso

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