A Praça Stephens voltou a encher-se na noite de 24 abril para assistir ao habitual concerto comemorativo de mais um aniversário da revolução dos cravos. Este ano, o 25 de Abril de 1974 foi assinalado com as atuações de artistas locais, reunidos no projeto “Sons de Cá”

 

Cerca da meia noite, depois de escutada a senha “Grândola, Vila Morena” seguida do hino nacional, o presidente do Município proferiu, a partir da varanda dos Paços do Concelho, o discurso comemorativo do 51.º aniversário da revolução.

As primeiras palavras de Aurélio Ferreira citaram o Papa Francisco - «A verdadeira liberdade é um dom precioso que nos foi dado para que possamos escolher o bem» - para lembrar que “a liberdade é, acima de tudo, uma responsabilidade - um guia no caminho das escolhas que moldam a nossa vida em comunidade”.

Para o autarca, a efeméride marca “a reconquista da liberdade, da dignidade e da esperança para todos os portugueses”, considerando que “Abril foi o despertar de um país que, durante décadas, viveu amordaçado, empobrecido e fechado sobre si mesmo”, e que “foi o início de uma nova forma de ser e de estar em comunidade, onde o povo voltou a ser soberano e onde os direitos deixaram de ser um privilégio para passarem a ser um princípio”.

O edil frisou que, na Marinha Grande, “terra de resistência e de valores progressistas, Abril foi vivido com intensidade e consciência. A nossa história está profundamente ligada aos ideais da liberdade e da justiça social. Somos livres, num concelho que cresceu pela força do trabalho, mas também pela força da participação cívica. Aqui, sempre se acreditou que uma sociedade mais justa é possível - e continua a ser esse o nosso caminho”.

Para o presidente, “hoje, celebramos Abril, mas celebramos também o futuro que queremos construir. Um futuro onde os valores da democracia se traduzam em qualidade de vida para todos. Onde as promessas de Abril se concretizem em oportunidades reais - sobretudo para os nossos jovens, que merecem crescer num concelho onde possam estudar, trabalhar, viver e sonhar”.

Afirmando que investir nos jovens é investir no amanhã, Aurélio Ferreira deu conta de que tal desígnio se alcança “com políticas de habitação acessível, com o reforço das condições de acesso ao ensino, à cultura, ao desporto e à inovação. Faz-se também com emprego qualificado, com espaço para a criatividade e com o estímulo ao empreendedorismo. Estamos empenhados em continuar a fazer da Marinha Grande uma cidade cada vez mais tecnológica, onde tradição e inovação caminham lado a lado, onde a indústria e o saber se cruzam para criar oportunidades”, garantiu.

Para o autarca, o futuro também é feito com sustentabilidade, designadamente ambiental, económica e social, frisando que “o 25 de Abril deu-nos o direito a viver com dignidade, mas cabe-nos garantir que também as próximas gerações tenham esse direito assegurado. Por isso, temos de proteger os nossos recursos naturais, valorizar o território e promover um desenvolvimento equilibrado”.

Aurélio Ferreira aludiu ao Pinhal do Rei, como símbolo de identidade local e relação com a natureza, apontando que “merece um lugar central nesta visão de futuro. Cuidar do Pinhal é cuidar da nossa memória, mas também do nosso futuro coletivo. É devolver-lhe o valor que sempre teve enquanto património ecológico, cultural e económico da nossa terra”.

“A Marinha Grande tem tudo para continuar a afirmar-se como um concelho de referência: pela sua capacidade produtiva, pela sua tradição de luta e pela sua visão de futuro. Trabalhamos para uma cidade onde se viva bem, com espaços públicos qualificados, com escolas renovadas, com piscinas, com infraestruturas que há muito deviam estar construídas”, fez notar o presidente, acrescentando na equação “cultura acessível” e “políticas sociais que combatam as desigualdades”.

Para o líder da autarquia, comemorar abril é “muito mais do que fazer memória. É renovar um compromisso com a democracia, com a liberdade e com as pessoas. É garantir que o espírito de Abril se sente na vida de cada munícipe - na escola onde estudam os nossos filhos, na habitação que conseguimos pagar, no ambiente que protegemos, no emprego que procuramos, na rua onde vivemos”.

Aurélio Ferreira terminou o seu discurso com sentido de gratidão aos que fizeram Abril, e afirmando que “às novas gerações, devemos visão e coragem” e “à Marinha Grande, devemos ação, compromisso e futuro”.