- Escrito Por: Redação
- Política
- 28 maio 2025
Passadas as eleições legislativas de 18 de maio, é altura de os partidos refletirem sobre os resultados obtidos e sobre eventuais ajustes a realizar, uma vez atribuídos os respetivos deputados. Porém, não queria deixar de notar que as responsabilidades pelos resultados não recaem apenas sobre os partidos, mas também sobre o eleitorado
É notório que os principais partidos, principalmente o Partido Socialista, têm responsabilidades pelo estado dos serviços públicos em Portugal e pelo subsequente crescimento do populismo de direita no cenário parlamentar português. No entanto, tendo em conta a transferência de votos que ocorreu, por exemplo, na Marinha Grande, grande parte do eleitorado não tem legitimidade para agora proclamar o que quer que seja, quando anteriormente conferiu legitimidade a políticas que não foram, de facto, as mais benéficas para o país. As pessoas não podem simplesmente esquecer em quem votaram no passado, apenas porque agora escolhem votar num partido autoproclamado antissistema - isso é hipocrisia pura e dura.
Outro aspeto que gostaria de abordar é a própria existência das eleições de 18 de maio. Se parte do eleitorado considerava estas eleições desnecessárias e não as desejava de todo, por que razão atribuiu agora a sua votação ao partido que, desde o primeiro dia, procurou desestabilizar os mais simples procedimentos parlamentares? Se esse eleitorado não queria eleições, por que votou num partido que aprovou duas moções de censura e reprovou um voto de confiança?
A democracia exige responsabilidade não só dos partidos políticos, mas também daqueles que têm o poder de lhes atribuir legitimidade proporcional: os eleitores. A responsabilidade é de todos, quer pertençam a partidos, quer participem apenas através do voto, ou mesmo aqueles que optam por não votar. A responsabilidade é, verdadeiramente, de todos.
Diogo Moreno






